Mudando
25 Junho 2009
As crianças têm uma capacidade de adaptação impressionante. A nossa casa está transformada num estaleiro de caixotes e esta é a mudança mais caótica por que já passei. Mas, mesmo assim, as minhas filhas mexem-se por aqui como se tudo fosse absolutamente normal e como se sempre tivéssemos vivido no meio desta confusão.
Depois de uns dias de brincadeiras com os caixotes, hoje deixaram simplesmente de lhes prestar atenção. Uma lata de bolachas e música francesa no youtube são assuntos muito mais interessantes.
A banda sonora destes dias (o que nos temos divertido a ouvi-la) — ♬ + ♪ + ♫ (Brigitte Bardot + Sofia Coppola = ♥)
Caixotes no chão
24 Junho 2009
Abriu a época dos caixotes. Faltam só dois dias.
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A coisa de que vou sentir mais falta, penso eu agora, é este chão. Adoro as tábuas velhas e gastas, cheias de imperfeições. O chão da casa nova é de cortiça, nem muito feio nem muito bonito. Cada vez que lá vou fico a pensar que é perfeitamente tolerável. Mas depois volto para aqui, olho para a madeira… e confirmo que não há nada como um chão de madeira antigo.
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23 Junho 2009
O coro
22 Junho 2009
Se há coisa capaz de me comover é ver um bando de crianças muito concentradas a executar uma tarefa. Quando, ainda por cima, a tarefa é cantar, estão reunidas as condições perfeitas para a comoção dar em lágrimas.
O ano escolar da L. acabará esta semana e eu não podia estar mais contente com a escola para onde ela entrou em Setembro passado (enfim, na verdade podia estar mais contente com a alimentação). A apresentação do coro da pré-primária foi um bom exemplo daquilo que mais me agradou ao longo do ano — o trabalho é sempre a questão central, a mais valorizada. Nas escolas que eu fui conhecendo ao longo dos últimos anos esta festa para os pais verem os seus rebentos brilhar teria dado direito a fatiotas, a lanche, serpentinas e a tarde inteira sem fazer mais nada. Aqui, pelo contrário, a coisa resumiu-se a meia dúzia de canções muito bonitas e muito bem ensaiadas, os pais todos babados e a seguir de volta para as salas que há outras coisas para fazer.
O ano acaba em glória com os parabéns entusiasmados da professora pelo desempenho da L. Em Setembro começará o primeiro ano da escola dos crescidos.
Osso duro de roer
16 Junho 2009
Há mais de treze anos que deixei de comer carne.
Durante algum tempo respondi, expliquei, justifiquei-me quando me perguntavam porquê ou cada vez que me confrontava com ares de espanto, risinhos de escárnio ou olhares enjoados virados para o céu. Umas vezes irritava-me. Outras respirava fundo e explicava, tentando ser pedagógica.
A certa altura deixei de o fazer. Não tenho jeito nenhum para pregadora. Acho cada vez mais que cada pessoa é responsável pelas suas escolhas e eu não tenho vontade nenhuma de andar sempre a justificar-me.
Hoje em dia é muito raro esta questão ser tema de conversa. Por um lado porque toda a gente à minha volta está mais do que habituada. Por outro porque em treze anos as coisas mudaram bastante e actualmente já muito menos pessoas acham que se trata de uma excentricidade ou de um devaneio inconsciente.
Deixei de tentar espalhar a palavra mas mesmo assim dou por mim a ficar contente quando oiço, numa rádio de enorme difusão como a TSF, o jornalista Fernando Alves a fazê-lo por mim. Vale a pena ouvir até ao fim.











