Uma montanha de trabalho, duas crianças de férias em casa, uma ganstroenterite curada, um temporal lá fora, a net sempre a falhar, uma montanha de trabalho, trabalho, trabalho.
Solução para prevenir a loucura: parar uma hora para fazer um pic-nic na sala.
O cheiro da borracha dos sacos de água quente faz-me sempre lembrar a minha Avó Beatriz e a sua enorme casa na Covilhã. É uma recordação de infância muito boa que chega sempre com o frio.
Duas camisolas velhinhas passaram hoje a ser coberturas para os sacos de água quente. Acho que vou comprar mais quatro para termos cada um o seu cá em casa.
Sou uma sortuda e ganhei o sorteio que a Paula Valentim fez há uns dias. Recebi em casa seis lindas borboletas em porcelana a que a Paula chama etiquetas e que por isso imagino que devesse usar para pôr em embrulhos de prendas para oferecer. Mas não é nada disso que vai acontecer. São minhas e só minhas e ainda estou a pensar o que fazer com elas. Obrigada, Paula.
No meu atelier passa o J. a caminho do seu que fica logo aqui ao lado. A L. deixa uma boneca a que fez um vestido com uma amiga que dormiu cá no sábado. Olho para o lado durante um bocadinho e passa a haver um desenho da R. pendurado numa parede (ela descobriu os encantos do Blu-Tack). E no meio deste movimento eu ponho alfinetes em mais dois pares de calças em vias de se tornarem calções. Um frenesim bom.
Não gosta de açúcar. Adora ir ao médico. Faz danças de alegria quando está contente. Faz birras em francês. Enfiou uma semente no nariz de manhã e só me contou à noite. Faz prendas-desenhos para toda a gente quase todos os dias. Obriga-me a ver cada bebé que passa na rua porque sabe que eu gosto de bebés. Conjuga o verbo querer como ninguém, principalmente na primeira pessoa do singular. Detesta ficar um dia inteiro em casa. Ontem percebeu que, quando crescer, poderá ter filhos e ficou de boca aberta com a possibilidade. Tem quase, quase quatro anos.