Transformar

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Se há coisa de que gosto é de camisas brancas.
Mas isto sou eu. A miúda de nove anos cá de casa não lhes acha grande graça.
E então eu puxo pela cabeça e dou-lhe a volta.
Corto as mangas, debruo-as com fita de viés e mudo os botões.
A Leonor adorou.
E sim, foi com uma destas mangas que fiz esta micro-saia branca.

Prendas

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Gosto de fazer as prendas para elas oferecerem nas festas de anos para que são convidadas. É mais uma oportunidade de testar as trezentas ideias por minuto que me passam pela cabeça e também uma boa maneira (espero eu) de ensinar às crianças que nem tudo tem de ser comprado.

Missão Retalhos

A quantidade de sacos com restos de tecidos que há nesta casa está a tomar proporções um bocadinho desastrosas e portanto a minha nova missão é transformar os quilos de retalhos que para ali estão, parados e inúteis, em objectos que nos sirvam para alguma coisa (já aqui disse que sou um bocadinho alérgica a objectos meramente decorativos, não já?).
Esta pega abriu a temporada do meu novo filme “Missão Retalhos”. Aguardem pelas sequelas!

Remendos

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Devo ter um gene qualquer de palhaço ou de vagabundo das histórias, para gostar assim tanto de remendos. E gosto deles descarados, bem à vista, sem disfarces.
Confesso que por vezes até fico contente quando as calças delas começam a romper-se nos joelhos. Sim, sou um caso perdido de palhacice aguda.

Nas mãos

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1. Tricotar: mais uma gola. É o meu novo vício. Esta é para o João.
2. Debruar: uma antiga toalha adamascada. Tem a beira esfarrapada. Uma óptima desculpa para o meu vício antigo.
3. Bordar: não percebo grande coisa de bordados mas apetece-me escrever a branco os nomes de nós os sete (o João, eu e os nossos cinco filhos) neste linho que a minha mãe me deu.

Boys

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Dê o mundo que voltas der há coisas que tendem a não mudar. Pelo menos é o que acontece com as minhas alcofas. Salvo raras excepções, as grávidas que escolhem alcofas para bebés rapazes preferem as azuis.
E até eu (que adoraria a extravagância de um dia fazer uma alcofa cor-de-rosa para um rapaz) acabo por cair no mesmo. Como na hora de fazer uma almofada para o meu único sobrinho.

Dos dias

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1. Começa aos poucos, e quando é só um vestido pendurado numa estante até tem graça. Mas eu sei que é apenas uma questão de tempo até a casa estar transformada numa lavandaria, com estendais espalhados por todo o lado porque lá fora chove.
Esta é uma das razões para, apesar de ter passado a infância a dizer que gostava do Inverno, no estado adulto eu suspirar tanto pelas estações quentes.
2. Sou uma sortuda que recebe prendas do estrangeiro a toda a hora — fitas de viés da Holanda e washi tape de Berlim.  Obrigada, M. e M.
3. Eu até gosto de cozinhar, mas a obrigação de pensar no assunto todos os dias mata a minha criatividade. Há dias em que, pura e simplesmente, não tenho uma única ideia. Devia ser possível só jantar de vez em quando.

Casa

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Uma almofada nova que fará companhia a esta, para tapar mais um banco encontrado na rua e que também ainda está por pintar (o trapilho que prendia a almofada deixou de ser usado porque estamos sempre a precisar de subir aos bancos para chegarmos aos armários altos e revelou-se pouco prático).
E outras duas para o sofá, feitas com uma lona que me faz pensar em praia e férias.
Fi-las propositadamente claras para que seja mais evidente que não são para ir parar ao chão, destino certo de todas as almofadas que passam pela vista da Rosa (para ela as almofadas são uma espécie de tijolos com que faz construções várias pela casa fora).

K.I.S.S.*

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1. Cartões novos para dar a conhecer em mão o meu trabalho.
2. Uma manta a caminho. Quero fazê-la da forma mais descontraída possível. Cortei rectângulos em vez dos quadrados do costume (  +  + ) e montei-os todos desencontrados. Não sei ainda se a vou alinhavar e se a coserei à mão ou à máquina. Apetece-me ter coisas simples e despreocupantes para fazer e não vejo a hora de me enroscar no sofá a debruá-la.

* Keep It Simple Stupid

Confusão

1. A minha mesa de trabalho é assim. É assim sempre. E às vezes é pior.
2. Tenho um problema sério com os restos de tecidos que produzo todos os dias. Não os consigo deitar fora mas já não aguento viver com eles. A bem do espaço e da minha sanidade este monte de retalhos vai ser transformado numa prenda daquele que será, para mim, o casamento do ano. Tenho um mês e meio.
No dia da criança, o mundo de hoje descodificado por uma delas, aqui. Viva as pessoas pequenas!

Dias a Sul

Neste interregno fomos uns dias para a casa a Sul. Tivemos azar com o tempo, mas serviu para, finalmente, ver esta manta na cama para onde foi pensada. Não a tinha podido mostrar aqui para não estragar a surpresa.
O momento alto para a Leonor foi, sem dúvida, a manhã passada a ver a avó a amanhar peixe fresquíssimo comprado junto aos barcos. Linguados ainda vivos e outros peixes de várias cores e tamanhos é qualquer coisa de emocionante para uma miúda da cidade.

Menos plástico

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Já há muito tempo que os lanches vão para a escola dentro de sacos de pano. Aliás, pouca coisa na minha vida não é transportada dentro de sacos de pano, não fosse eu uma Maria-Saquinhos. Mas dentro dos tais sacos muitas vezes iam caixas ou sacos pequeninos de plástico com o pão ou as bolachas. Agora acabou. Estes panos-com-trapilho-cosido embrulham os lanches e acabam com uma parte do plástico que ainda entrava cá em casa. Demorei 15 minutos a fazê-los.