Ainda sobre livros e bibliotecas
22 Maio 2009
Cresci numa casa cheia de livros. E quando um dia fui viver para a minha primeira casa já levava comigo uma estante cheia deles. Depois vivi em dez ou onze casas diferentes (já nem tenho paciência para as contar) e cada vez que mudei de uma para outra os livros foram sempre a coisa mais difícil de transportar: muito peso, muito pó, muitos caixotes. Dessas casas apenas numa os livros não ficaram na sala porque tinhamos dois escritórios e foi aí que os arrumámos. No dia em que deixámos essa casa percebi que a ausência dos livros na sala a tinha tornado, durante o ano que lá vivemos, um espaço estranho, de passagem, pouco acolhedor. Por não ter livros. Uma sala sem livros parece-me sempre uma loja de móveis. Na casa actual vingámo-nos e cobrimos uma parede enorme da sala com umas prateleiras feitas à mão por um super carpinteiro. É lá que estão quase todos os livros. Fora todos os outros que circulam pela casa.
Também sou muito possessiva com os livros. Porque gosto de os ler, de os ter e de os fazer. É um dos objectos do meu trabalho e o design editorial sempre foi uma das minhas áreas preferidas.
As bibliotecas também têm outro papel importante – ajudam-me a controlar o meu instinto. Aquele que me faz ter vontade de comprar dez livros por dia.
Monstros em casa
20 Maio 2009
Das duas bibliotecas do costume (esta e esta), vieram dois fabulosos livros criados nos anos 60 que encheram a nossa casa de monstros. Só a R. ainda não os conhecia e a página de que mais gostou foi a única em que aparece um cão, um dos temas favoritos do momento.
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Eu adorava saber quantas pessoas frequentam bibliotecas regularmente. Tenho a sensação de que poucas. E não consigo entender porquê. Haverá melhor coisa do que ter milhares de livros à disposição a custo zero? [Nas Bibliotecas Municipais de Lisboa a consulta e o empréstimo de livros são gratuitos. No caso da Mediateca do IFP o valor da anuidade é próximo do preço de UM só livro comprado numa livraria).
MAX ET LES MAXIMONSTRES
Maurice Sendak
L’école des loisirs, 2006
UM PESADELO NO MEU ARMÁRIO
Mercer Mayer
Kalandraka Editora, 2004
Dias assim
7 Março 2009




A árvore de Natal foi desmontada em Fevereiro por isso não é de estranhar que o Carnaval apareça aqui em Março. Apesar da minha campanha, a indumentária acabou por ser uma mistura de vestido chinês com bindi de indiana e leque à espanhola. Uma cidadã do mundo, ora bem, com a Sinagoga de Lisboa em pano de fundo.
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Recebi pelo correio uma prenda maravilhosa. Um livro que se tornou um mito na minha família porque, sendo um dos preferidos, há anos que desapareceu e nunca mais o vimos. A minha irmã vai adorar. Obrigada, Débora!
TUCHA E BICÓ
Leonor Praça
Plátano Editora, 1977
Descobertas
18 Fevereiro 2009
Às vezes descubro tesouros escondidos na grande estante da minha sala. Livros preciosos que li ou namorei durante um tempo e que a seguir guardei cuidadosamente. Esqueço-me deles e eles lá ficam, à espera de um dia me tornarem a surpreender. Este livro fabuloso foi-me dado por uma amiga há uns dez anos. Escolheu-o para mim por causa da minha profissão e do meu gosto por tipografia. Há uns dias reencontrei-o e percebi que sempre esteve ali à espera de aparecer no momento exacto em que eu tivesse uma filha de cinco anos a aprender francês e a descobrir o mundo fascinante das palavras escritas.
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E há lá coisa mais cool do que ter uma mãe blogger? Bem-vinda, mãe!
BOÎTE À LETTRES – LE LIVRE-JEU DE L’ÉCRITURE
Valérie Guidoux + Joelle Jolivet
Seuil Jeunesse, 1995
Falar, falar, falar
17 Fevereiro 2009
A L. fala muito. Muito. Fala, fala, fala. O dia todo, sem parar. Hoje esteve doente e ficou em casa. E falou, falou, falou. Fez-me rir imenso; pediu-me muitos mimos (ela pede mesmo. ”Mãe, quero mimos”. E eu dou); teve opinião sobre este mundo e o outro; durante meia hora achou que me conseguiria convencer de que a única maneira de irmos buscar a R. à creche seria se eu a levasse ao colo; esborrachou a irmã com abraços e beijos – “É que ela tem um pescoço tão macio”; e falou, falou, falou.
Às sete da tarde, naquele momento do dia em que eu muitas vezes acho que vou adormecer em pé antes delas as duas, pedi-lhe - ”Agora por favor fica calada só um bocadinho, está bem? Dois minutos”. E ela respondeu-me – “Não posso”. “Porquê?”. “Porque se me calar o meu cérebro incha”.
Cheira-me que os cinco anos serão a idade das conversas hilariantes entre nós as duas.
BRUNO MUNARI’S ABC
Bruno Munari
Chronicle Books, 2006
Chuva
13 Dezembro 2008
Isto não estava nada nos meus planos para hoje. Mas vendo com atenção não deixa de ser uma bela chuva.
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Encontrei a R. sentada no chão com um mar de açúcar espalhado à volta e a colher do açúcareiro enfiada na boca. Estamos nesta fase. Acho que chegou o momento de deitar fora o piaçaba.
FIFTEEN DAYS
Jorge Colombo, 2003
Das casas e dos livros
18 Novembro 2008
Já vivi em dez casas diferentes. Na folha de rosto dos meus livros escrevo o meu nome e, por baixo, a data e a rua onde vivo nesse momento. Copiei o hábito de um amigo ainda mais salta-pocinhas do que eu. Todos os meus livros ficam assim associados às casas em que vivi. Ou talvez seja melhor dizer ao contrário – as casas em que vivi ficam associadas aos livros que li, já que as casas ficam na memória e os livros permanecem comigo.
LE DÉMÉNAGEMENT
Clémence Lafarge + Camille Jordy
Adam Biro Jeunesse, 2004
W.I.P.
28 Outubro 2008


Há prendas a caminho. E tão pouco tempo para as acabar.
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Encontrei os números 2 e 3 desta enciclopédia aqui. O número 1 eu tinha desde pequena. Tem ilustrações lindíssimas que me trazem muitas recordações de infância. Agora está completa.
A MINHA PRIMEIRA ENCICLOPÉDIA
Herbert Pothorn
Editorial Verbo, 1967
Obrigada
19 Setembro 2008
Ando a descobrir que os mimos digitais sabem tão bem como os outros.
Obrigada Rosa por teres posto este blog num rodopio ao linkares-me de uma forma tão simpática. A todos os que aqui vieram parar via A Ervilha cor de rosa – sejam muito bem-vindos.
E a todas as pessoas que, nos comentários ou por e-mail, pediram informações sobre as alcofas e os dodôs, aqui fica a resposta: na segunda-feira aqui estarão algumas mini-alcofas e novos dodôs – tudo à espera de partir para novos destinos.
Muito obrigada.
PREMIER DICTIONNAIRE EN IMAGES
Pierre Fourré
Livraria Bertrand / Didier, 1962
Oportunidade
11 Agosto 2008
Os chineses usam o mesmo caracter para as palavras Crise e Oportunidade. Faz todo o sentido.
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Continuar a repetir, mentalmente e em voz alta – vai correr tudo bem, vai correr tudo bem, vai correr tudo bem…
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Primeiro dia dos próximos quinze. A trabalhar fora de casa nine to five como há muito tempo não acontecia. Momento alto: a hora de almoço passada no jardim com a melhor vista de Lisboa a ler “A Mulher Certa” de Sándor Márai quarenta minutos seguidos sem interrupções. Mesmo sozinha gosto de fazer pic-nics.
Gosto deste salão vermelho, com os seus móveis de tempos revolutos, gosto das velhas empregadas, da praça concorrida vista por detrás das janelas e das pessoas que entram. Há uma espécie de calor em tudo isto, um ambiente fim-de-século no conjunto. E aqui o chá é melhor, já te deste conta?… Sei, as mulheres de agora já não vão às pastelarias. Vão aos cafés, onde tudo é à pressa, e nem se podem sentar tranquilamente, o café custa quarenta fillér, o almoço é uma salada, eis o novo mundo. Mas eu ainda pertenço ao outro mundo, ainda preciso desta pastelaria tão elegante, com mobiliário e tapeçarias de seda vermelha, velhas condessas e princesas, aparadores espelhados. Não fico aqui todo o dia, como podes imaginar, mas no Inverno venho algumas vezes e sinto-me cá muito bem.
A MULHER CERTA
Sándor Márai
Publicações Dom Quixote, 2007
Último dia
15 Julho 2008
Hoje descobri um saco cheio de bichos de pano que fiz para a L. quando ela ainda não tinha um ano. Tinha-me esquecido completamente deles. Fiquei com vontade de fazer outros para a R., talvez um pouco maiores, talvez com guizos dentro. O touro fez-me lembrar este outro do grande Sebastião Rodrigues. Ciclicamente reapaixono-me pelo trabalho dele e cada vez que pego neste livro fico com vontade de arrancar as páginas e espalhá-las pelas paredes da casa.
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Amanhã é o último dia de escola para a L. Agora só em Setembro numa escola nova. Apesar de algumas dificuldades durante o ano que passou, vou ter saudades desta escola que tem bonecos de todas as cores, refeitório-esplanada no Verão e pneus no recreio como os da minha antiga escola. Custam-me sempre um bocadinho as despedidas. Espero que a ela não.
SEBASTIÃO RODRIGUES – DESIGNER
Fundação Calouste Gulbenkian, 1995
Da comida
2 Julho 2008
Eu, que sou olhada um pouco de lado por muitas pessoas por ter tantas preocupações com a alimentação, nomeadamente com a alimentação das minhas filhas, estou farta de me esforçar por entender como é possível achar-se normal que as crianças de 2, 3, 4, e 5 anos comam regularmente na escola coisas como tulicreme, leite com chocolate e batatas fritas. E, apesar do esforço, continuo sem entender.
Pior ainda é quando as crianças que têm hábitos mais saudáveis como comer vegetais em todas as refeições, beber leite sem nada acrescentado e saber que os doces são para dias especiais, são vistas pelos adultos como pobres desgraçadinhas por lhes estar a ser negado o melhor da vida. Não está. O melhor da vida não é, não deveria ser, não pode ser estar-se viciado em açúcar, sal e gorduras quase desde que se nasce. Eu, que me sinto cada vez mais um misto de convicção e lirismo (para o bem e para o mal), continuarei, apesar de dar mais trabalho do que comprar chocapic e coca-cola, a promover cá em casa o entusiasmo pela chegada da fruta de Verão e por comer cenouras cruas lavadas no chafariz do jardim.
Verão
23 Junho 2008

O fim-de-semana foi passado quase todo no jardim. Compras, baloiços, cafés na esplanada, um pic-nic com amigos (com direito a toalha aos quadrados e tudo!) para celebrar o primeiro dia de Verão e por fim sardinhas na tasquinha logo ali ao lado.
Ao contrário de muitas pessoas que sentem o apelo de ir viver para o campo, eu cada vez gosto mais de viver em Lisboa. Talvez porque cada vez tiro mais partido das vantagens de viver aqui. E portanto cada vez sinto a cidade mais à minha medida.
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Para os dias serem ainda melhores do que têm sido só faltava as minhas noites serem passadas a dormir assim tão bem como o Filipe. Depois de duas noites em que a R. dormiu sem interrupções entre a meia-noite e as sete da manhã, há esperança! Afinal duas vezes já pode ser considerado um padrão. Não pode?
FILIPE E O PINCEL MÁGICO
Mischa Damjan + Janosch
Nord-Sud Verlag, Switzerland / Livraria Sá da Costa Editora, 1972
Nas Bibliotecas Municipais de Lisboa
21
20 Junho 2008
9 livros comprados + 6 livros da biblioteca do costume + 3 livros e 2 dvd’s da nova mediateca de que a L. é sócia + 1 oferecido por uma amiga (e que me trouxe recordações dos meus oito ou nove anos quando me ofereceram um igual a este Babar que ensina francês).
Sábado
14 Junho 2008

Olha mãe, sou um crepe de framboesa!
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Da biblioteca: outro livro de grande sucesso por aqui. Muitissimo divertido. Nas Bibliotecas Municipais de Lisboa.
ODEIO A ESCOLA!
Jeanne Willis + Tony Ross
Andersen Press Ltd. 2003 / Livros Horizonte 2003



















