Café de balão
11 Novembro 2009
Roupa lavada
12 Outubro 2009
Ora então, a pedido de muitas famílias, aqui vai a explicação de como lavo a roupa sem ter máquina. Muito simples: uma vez por semana encho a banheira de roupa que ponho de molho com detergente em pó. Normalmente há muito poucas coisas que precisem de ser esfregadas. Passo por água e estendo. As roupas maiores — lençóis, toalhas, etc. — enfio num saco e levo para a máquina da minha mãe que entretanto se tornou numa super cool máquina de lavar roupa comunitária. Se há uns anos eu achava que ter uma máquina de lavar em casa era sinónimo de independência e autonomia, agora agrada-me a ideia de rentabilizar os recursos familiares. E como a minha mãe, pelos vistos, pensa o mesmo…
Espero que fique claro que não estou a fazer a apologia do regresso às cavernas. E que adoro novas tecnologias e o conforto que nos podem trazer. Simplesmente, neste momento da minha vida, prefiro mil vezes ter uma cozinha simpática com espaço para uma mesa e cadeiras (esses, sim, objectos vitais cá em casa) a ficar sem espaço para nada. E, entretanto, tem sido uma bela surpresa descobrir, passados três meses a experimentar, que se pode viver muito bem sem uma máquina debaixo do nosso tecto, coisa que eu achava impossível há pouco tempo atrás.
Less is more
1 Outubro 2009
Tenho um fogão de casa de bonecas que adoro porque é muito bonito e chega muito bem. Deixei de ter máquina de lavar loiça, coisa que pensei que me iria custar muito mas que não me tem custado quase nada. Não tenho forno, aspirador e, a coisa que mais espanta toda a gente, não tenho máquina de lavar roupa.
E, no entanto, o que sinto quando penso nos últimos três meses sem toda esta parafernália de electrodomésticos é que tenho mais espaço e menos tralha para gerir.
Novidades
12 Setembro 2009
Das novidades que a mudança de casa trouxe não gosto do jardim do novo bairro e, tal como eu previ, custa-me habituar-me ao novo chão. O antigo jardim continua a ser o nosso e ando a sonhar com tapetes:
Este para a sala + este para o quarto delas + este para o corredor (Melina Raissnia for Peace Industry).
Azul e branco
10 Setembro 2009
Uma almofada com andorinhas azuis vindas de África + Os pavorosos azulejos da cozinha pintados de branco.
É assim que, aos poucos, a casa se vai tornando minha.
Novo prédio velho
8 Setembro 2009
A casa nova é num prédio velho, como eu gosto. A senhora velhota do andar do lado chama-se Inês como eu. E a mãe dela, contou-me, chamava-se Rosa como a minha filha. Passa os dias com um gato branco de ar sofisticado e arranja a entrada do prédio com jarrinhas de flores artificiais que fazem as delícias da L. Há uns dias disse-me que eu era gentil, palavra que adoro e que se usa muito pouco.
Mudando
25 Junho 2009
As crianças têm uma capacidade de adaptação impressionante. A nossa casa está transformada num estaleiro de caixotes e esta é a mudança mais caótica por que já passei. Mas, mesmo assim, as minhas filhas mexem-se por aqui como se tudo fosse absolutamente normal e como se sempre tivéssemos vivido no meio desta confusão.
Depois de uns dias de brincadeiras com os caixotes, hoje deixaram simplesmente de lhes prestar atenção. Uma lata de bolachas e música francesa no youtube são assuntos muito mais interessantes.
A banda sonora destes dias (o que nos temos divertido a ouvi-la) — ♬ + ♪ + ♫ (Brigitte Bardot + Sofia Coppola = ♥)
Caixotes no chão
24 Junho 2009
Abriu a época dos caixotes. Faltam só dois dias.
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A coisa de que vou sentir mais falta, penso eu agora, é este chão. Adoro as tábuas velhas e gastas, cheias de imperfeições. O chão da casa nova é de cortiça, nem muito feio nem muito bonito. Cada vez que lá vou fico a pensar que é perfeitamente tolerável. Mas depois volto para aqui, olho para a madeira… e confirmo que não há nada como um chão de madeira antigo.
Bilal em Lisboa
18 Maio 2009
O prédio que fica mesmo em frente da minha casa entrou finalmente em obras de recuperação. É um edifício muito bonito, suponho que dos anos 30, que está há anos vazio e que eu espero ver bem recuperado a bem de Lisboa e da minha vista doméstica. Mas agora que finalmente a obra começou é com um bocadinho de nostalgia que me despeço do seu aspecto de desenho do Bilal, com a sua tinta descascada e manchas de humidade. Habituei-me a vê-lo assim. Também terei de me adaptar ao facto de passar a ter vizinhos a poucos metros do meu nariz. Acho que vou fazer umas cortinas.
LA FEMME PIEGE
Enki Bilal
Dargaud Éditeur, 1986
Respigadora
17 Abril 2009
É o que eu sou – uma respigadora inveterada. Comecei adolescente. Ora bem, digamos assim: nessa altura a minha faceta de respigadora esteve quase, quase a raiar a delinquência. Sinais de trânsito, campaínhas vintage, até um banco de jardim foram levados para o meu quarto, verdadeiro laboratório de experimentação espacial. Ao mesmo tempo que quase enlouquecia a minha mãe (lembro-me de algumas conversas interessantes sobre a ética do espaço público) dei início ao treino do radar que existe no meu cérebro que já me fez encontrar as maiores preciosidades pelas ruas de Lisboa. E não só. No Verão de 2001 eu e o P. trouxemos de Paris uma cadeira estofada dos anos 60, com um pé giratório, linda. E pesadíssima. Encontrámo-la no primeiro dia junto à casa de Paris em que ficámos alojados. Enfiámo-la no carro e viajámos com ela durante os vinte dias que durou a nossa viagem pela Bretanha. Temos uma bela colecção de polaroids com a cadeira vermelha nos sítios mais improváveis – numa marina, numa praia, num elevador.
Este cadeirão estava na rua ao lado da minha. Penso que será dos anos 50 e está em óptimo estado. Limitei-me a fazer-lhe as almofadas. Não é a cadeira mais confortável do mundo porque, para mim, tem o encosto demasiado inclinado mas acho-a tão bonita que tanto me faz.
Faz de conta II
3 Abril 2009
Enfiar as mãos nos cestos das lãs e tirar os restinhos que andam lá no fundo há anos. Ter como único critério de escolha dos novelos a espessura dos fios, para poder usar sempre as mesmas agulhas. Enfiar umas 40 ou 50 malhas, nem muito largo nem muito estreito. Desatar a tricotar sem parar, sem saber o que será no fim, tudo a direito, só pelo prazer de dar aos dedos e de ver crescer qualquer coisa. Esta será a minha companhia enquanto faço de conta.
Faz de conta que a minha casa-de-banho não voltou a ficar sem chão, sem sanita, sem sítio onde tomar banho. Faz de conta que isto não é um pesadelo que dura há três meses. Faz de conta. E viva o tricot!
Festas
2 Abril 2009
A L. tem a vida social mais animada cá de casa. Esta semana tem outra festa de anos. Fiz um avental para ela oferecer à colega de turma que a convidou.
W.I.P.
1 Abril 2009
Adoro jantar de dia. Parece que o Verão já chegou.
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Muito, muito devagarinho lá vai nascendo a manta de retalhos da L., prometida desde que acabei a da R. Em Maio do ano passado comecei a juntar quadrados. Em Setembro percebi que me apetecia muito branco. E agora, com os quadrados quase todos cosidos, só quero despachar-me para chegar à fase dos milhões de pontinhos à mão.
Casa
18 Março 2009
Daqui a algum tempo, não sei ainda quanto, mudar-me-ei para uma casa nova. Até lá vou registando bocadinhos desta. Para mais tarde recordar.
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Com a Primavera antecipada volto a divertir-me com os sapatos da Violeta .
DESENHO
Joana Villaverde

























