Quem não tem cão…
14 Abril 2009
Eu sabia que gostava muito de tricotar. Desde os cinco ou seis anos, quando aprendi a fazê-lo, tenho ataques regulares e durante umas temporadas tricoto imenso. Nunca fiz nada de verdadeiramente difícil mas já tive várias fases, normalmente temáticas: de cachecóis, de meias, de botinhas de bebé, camisolas minúsculas, médias e uma grande, dezenas de gorros. Grávida da L. bati todos os meus recordes e enchi a casa de mantas grandes e pequenas. A seguir desatei a fazê-las para todos os bebés que apareciam à minha volta.
Quando, em Agosto de 2002, acordei um dia decidida a não voltar a pegar num cigarro, a minha estratégia para o conseguir consistiu num pacote de rebuçados, umas manhãs a nadar na piscina municipal aqui da zona e um saco com lãs e agulhas que me acompanhava para todo o lado. Passei esse Verão a tricotar na praia, nas esplanadas, nas viagens de carro para férias.
O que eu não sabia é que seria capaz de passar um serão inteiro a tricotar com dois lápis depois de descobrir que não tinha as agulhas nº 7 de que precisava para poder transformar estas duas lãs em mais um cachecol. E antes de chegar a esta ideia brilhante muitas hipóteses malucas me passaram pela cabeça: duas varetas de guarda-chuva, duas colheres de pau, até dois molhinhos de esparguete!
Faz de conta II
3 Abril 2009
Enfiar as mãos nos cestos das lãs e tirar os restinhos que andam lá no fundo há anos. Ter como único critério de escolha dos novelos a espessura dos fios, para poder usar sempre as mesmas agulhas. Enfiar umas 40 ou 50 malhas, nem muito largo nem muito estreito. Desatar a tricotar sem parar, sem saber o que será no fim, tudo a direito, só pelo prazer de dar aos dedos e de ver crescer qualquer coisa. Esta será a minha companhia enquanto faço de conta.
Faz de conta que a minha casa-de-banho não voltou a ficar sem chão, sem sanita, sem sítio onde tomar banho. Faz de conta que isto não é um pesadelo que dura há três meses. Faz de conta. E viva o tricot!
♥ + ♥
9 Março 2009
De volta a casa
6 Março 2009
Também é bom voltar.
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Jornais em Bissau - Há quem anseie por ler.
Her morning elegance (via É tarde Maria)
Art (via Soule Mama)
Sexta-feira
13 Fevereiro 2009
Saboreio a maravilhosa luz de Lisboa carregando um ramo de flores que, oops, afinal é um molho de nabiças.
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Retomo esta manta que me faz lembrar o Verão em que estive grávida da R. Fiz treze quadrados, já só faltam dezassete.
Mistura
20 Janeiro 2009
Uma das coisas boas do frio: poder dar largas à minha obsessão por gorros enfiados em cabeças de crianças. Gosto tanto que qualquer pretexto é bom para fazer um novo.
Este já tem uns anos. Foi usado pela L. que com um ano fazia questão de andar de gorro quer na rua quer em casa. Agora é da R. que, sendo um super bebé, está quase a precisar de um maior. Vou voltar a misturar estas duas lãs porque adoro a textura e a mistura de tons do resultado final.
[Continua a ser quase impossível fotografá-la quieta. Devo ter tirado mais de trinta fotografias para conseguir esta em que pelo menos se percebe vagamente que se trata de um bebé com um gorro na cabeça. Nada mau!]
O colete
13 Janeiro 2009
Usa-se por cima da camisola interior ou do body. E por baixo dos vestidos, camisas ou camisolas. Eu e os meus irmãos, as minhas filhas e os meus sobrinhos, todos os usámos todos os Invernos desde o nascimento até aos três ou quatro anos. O meu pai também se lembra de os vestir. A minha avó paterna, exímia tricotadeira, fê-los para os filhos e depois para os netos. A minha mãe perpetuou a tradição, fazendo-os para os seus netos. Não sei se a minha avó já os teria usado em pequenina. Não sei se outras crianças da Covilhã os usariam ou se foi uma invenção da minha família.
Quando fiquei grávida da L. e a minha mãe desatou a tricotar freneticamente, resisti-lhes durante algum tempo, sem perceber bem a utilidade. Passados uns dias do nascimento, em pleno Inverno gelado, rendi-me à evidência de serem uma grande ideia. A L. usou-os até há pouco tempo. Ultimamente, com o frio que tem estado, tenho pensado que eu própria gostava de ter um.
Faz de conta
6 Janeiro 2009
Durante um bocadinho – quinze minutos, para ser mais precisa – faz de conta que está tudo a correr muito bem. Tiro a fotografia, sento-me, respiro fundo e tomo o pequeno-almoço. Hoje fi-lo sozinha, depois de as levar à escola. Dormimos em casa de uma amiga e talvez tenhamos de nos mudar mais a sério durante uns dias. Metade do nosso prédio, a nossa metade, tem as paredes ensopadas em água por causa de um cano mal encaixado. Um caos de água que durante meses, talvez anos, se infiltrou devagarinho e que agora resolveu aparecer em todo o seu esplendor. Um caos doméstico espalhado por quatro andares de um velho prédio lisboeta. Veremos como isto se resolverá. Por enquanto bastaram-me estes quinze minutos a fazer de conta para tudo me parecer mais fácil. E, vendo bem, de repente o céu até voltou a ficar azul.
Bules e gorros
27 Agosto 2008
Longe de me apetecer já o Inverno, passei o dia a pensar nele. E em gorros grossos de lã. E em bules de chá.
Estes são de plástico e vieram da Guiné Bissau onde são usados pela população muçulmana para a lavagem de pés e mãos que precede as várias orações diárias. Adoro-os. Pelas cores e pelo insólito de serem de plástico. A L. gosta deles pela escala, igual à dos a sério e gigante perto das chávenas pequeninas das bonecas.
Os gorros tricotei-os há uns meses já a pensar no próximo Inverno. Têm o modelo mais simples e o meu preferido. Em quatro anos de vida a L. já teve uns dez, de várias cores, com riscas e sem riscas, com pompons e sem nada.
Pensar em lãs e tricot ajuda-me a aceitar melhor o facto de que um dia destes vai ser Inverno outra vez.
Luz triste
16 Maio 2008
Farta deste tempo molhado e cinzento que põe Lisboa com uma luz tão triste, só vejo duas vantagens no frio e na chuva – voltar a pegar nos tecidos que já tinha posto de parte para o Outono e continuar a ver a L. de galochas a chapinhar nas poças. Ainda não foi este ano que arranjei umas para mim mas do próximo Inverno não passa.
Ah, esqueci-me de um ponto muito importante no último post: ela adora princesas, cor-de-rosa e brilhantes. Como é que pude esquecer-me disto…
Disparates
9 Maio 2008
Ontem foi um dia de disparates.
Enganei-me no dia da consulta da pediatra e fui lá para nada; houve uma confusão com o cartão multibanco e quase que se instalou o caos; tive a brilhante ideia de atravessar a cidade de carro a meio da tarde e fiquei presa no trânsito; passei o dia a entornar coisas, a pisar outras, a esquecer-me de imensas.
Ai, quando o sono comanda a vida…
Vontade de: retomar o tricot do Verão passado + ir ver a Monstra + dormir, dormir, dormir.
























