Dia da espiga

O dia da espiga apanha-me sempre de surpresa porque nunca me lembro em que dia calha. Saio à rua e vejo Lisboa cheia de flores, como se o campo tivesse decidido invadir a cidade. Escolho sempre o ramo que tem mais papoilas e em casa cumpro o ritual de trocar o antigo pelo novo. Que o campo continue a invadir uma vez por ano a cidade, é o que eu desejo.

Ainda a velar os resquícios de varicela, faço vestidos de Verão para que o sol saiba que queremos que fique.

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Descoberta: na linda Small Magazine desta Primavera oferecem uma boneca de papel de Catherine Campbell para imprimir, recortar e pintar.

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Irmãs

Eu e a minha irmã temos cada uma duas filhas. Quando estamos juntas somos uma pequena multidão de miúdas. Uma barulheira boa.
Uma das melhores coisas que acontece quando se tem duas filhas é saber que elas vão para sempre ser irmãs. E quando também se tem uma irmã sabe-se ainda melhor como isso é uma coisa boa. Parabéns J.!
Descoberta: para as irmãs cá de casa, este livro.

Embrulhos

Gosto de embrulhar coisas. Sempre gostei. Lembro-me de, muito pequena, estar a embrulhar os livros que queria levar para as férias de Verão. Um por um, com papel de embrulho e fita-cola.

Normalmente não deixo que me embrulhem as prendas que compro nas lojas. Sou eu que o faço depois em casa. Mas também sou capaz de escolher uma loja pelos embrulhos que lá se fazem.

Suspeito que às vezes ofereço prendas só pelo prazer de as embrulhar.

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Sapatos: Os vermelhos da Violeta. E estes – conseguirei resistir-lhes?

Dodô

Invento substitutos para a fralda de pano atada à chucha da R., de que não gosto nada mas que cumpre a função fundamental de não deixar que a chucha caia de dois em dois minutos. E, ao mesmo tempo, inicio-me (e vicio-me) na arte de juntar retalhos. O mais importante: a R. gostou.

Varicela

Fazer biscoitos, recortar bonecas de papel e brincar horas com elas, descascar ervilhas e escrever nomes no chão com as vagens vazias, fazer autocolantes caseiros pintando etiquetas, ver o Monstros e Companhia e a Pantera Cor-de-Rosa, tomar banhos com farinha e pôr imenso pó de talco a seguir – tudo boas coisas para a distrair das comichões irritantes da varicela.

A maior dificuldade: impedi-la de dar beijos e abraços à irmã. Tentamos evitar que a R. fique doente porque é demasiado pequena mas não vai ser fácil.

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Descoberta: Anorak. Já assinei por um ano.

Sempre!

Pela primeira vez na sua vida de quatro anos a L. não desceu a Avenida da Liberdade neste dia. Culpa da varicela. A representá-la esteve a R., no seu ano de estreia. O dia de Verão antecipado aumentou o sabor a festa.

ERA UMA VEZ UM CRAVO
José Jorge Letria + André Letria 
Edição CML, 1999

O nosso jardim

É o que a L. lhe chama. E tem razão, é nosso. Todos os dias lá estamos. No caminho para a escola, para beber um café, ir aos baloiços, comprar vegetais no mercado biológico ou botões e livros na feira de velharias. No Verão passado até lá fomos ouvir histórias contadas às crianças todos os sábados.

De manhã é a minha altura preferida. Está cheio de cheiros fortes das árvores e a luz é magnífica. Demoramos imenso tempo a atravessá-lo porque a L. quer sempre apanhar muitas folhas e pauzinhos para ti, para o pai e para a R.

A vida já não seria a mesma sem o nosso jardim.