Vermelho, presunção e água benta…

Quando eu era pequena tinha, na minha cabeça, cores associadas a quase tudo. A cada dia da semana correspondia uma cor, cada nome de pessoa era de uma cor diferente. Não sei se isto era um presságio da profissão que viria a ter – as cores são uma das matérias-primas com que trabalho. Mas sei que há alturas em que uma cor se torna um tema. Presente em tudo o que vejo. Agora tem sido o vermelho.

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A minha irmã diz que eu estou muito diferente porque digo vermelho em vez de encarnado e sanita em vez de retrete. Eu, que nunca tinha notado que dizia de uma maneira ou de outra, adoro que ela repare nestas coisas. E passo a rir-me sozinha cada vez que uso estas palavras.

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As máximas de Miguel Sousa Tavares sobre os perigos dos blogs estão na mesma onda arrogante e presunçosa de outras que já lhe ouvi e li sobre vários temas. Assim de repente lembro-me de ler numa crónica sua que devia ser proibido levar crianças a restaurantes.

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Amigas

Fazem cócegas uma à outra – Param para fazer uma dança ao som de uma canção – Riem muito – Dão pinotes e saltinhos – Amuam – Olham para as solas dos sapatos uma da outra para ver se pisaram cocó de cão – Esquecem-se que estavam amuadas – Jogam ao stop – Espreitam pelas ranhuras das caixas de correio – Entram sempre na mesma tabacaria para ver a capa de uma revista de bonecas pirosas – E falam, falam, falam…

O caminho da escola para a aula de dança podia demorar cinco minutos mas dura sempre pelo menos meia hora. E assim é que é divertido.

Sexta saia

Não estou a conseguir cumprir os sete dias do desafio das saias que lancei a mim mesma. Demasiadas coisas a acontecer, não me sobra tempo. Mas serão sete saias, isso garanto.

A sexta tinha de ser para a Boo que já teve direito a gorro, cachecol e bibe igual ao que a L. usava na creche mas nunca tinha tido uma saia. Agora já tem.

O céu

Mãe, as pessoas quando morrem vão para o céu?

Eu já sabia que um dia ia haver esta pergunta. Não tinha era pensado vir a ter tanta mas tanta pena de não lhe poder dizer que sim. Fiz o melhor que pude – que há pessoas que acreditam que sim mas que eu acho que as pessoas quando morrem ficam na cabeça de quem gostava delas. Aí eu sei que ficam.

Sapatos e saias

Pareço obcecada por sapatos. Mas eles é que se têm atravessado no meu caminho. Como estes hoje de manhã, muito arrumadinhos na fachada de um prédio de Lisboa.

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A quarta e a quinta saias estão prontas. Uma é para mim e a outra para a L. Já só falta o calor para as podermos usar.

Oops!

A quarta saia está atrasada. Mas está a caminho, meia feita meia por fazer. E a quinta vem logo a seguir.

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Aos poucos estou a transformar a nossa casa no atelier de uma costureira um bocadinho maluca que tem espalhados por todo o lado tecidos e mais tecidos, caixas e mais caixas – de fitas, de gregas, de linhas, de botões. As paredes e as maçanetas das portas têm cabides com roupa para ser fotografada e a nossa cama passou a ser a maior mesa da casa. Falta-me espaço. Sonho com uma mesa de três metros de comprimento e já nem o chão me chega.

Ando a puxar pela cabeça. Um dia destes tenho uma ideia luminosa e faço a casa esticar.

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Fomos ver marionetas do Rajastão a dançar em Lisboa.