De volta

De regresso e quase a partir outra vez (ainda alguém faz um mês de férias de seguida?).
A manta de retalhos está pronta! Fui ver nos arquivos do blog quanto tempo demorei a fazê-la. Dois meses e meio. Depois de uns milhares de pontos feitos à mão em horas de namoro com os tecidos, o inevitável aconteceu – apaixonei-me por ela. Apetece-me fazer mantas destas para todas as camas da casa. Estou tão orgulhosa que passei uma tarde inteira a fotografá-la nos lindos cenários do Alentejo, com e sem modelo. E mais aqui, aqui e aqui.
Desafio de Verão: voltar aos desenhos, mesmo que pequeninos.

Até já

Vamos uns dias para paragens ainda mais quentes do que Lisboa mas onde pelo menos as casas são feitas para tornar o calor suportável e as portas têm chaves assim gigantes que ajudam a guardar o fresco do lado de dentro.

Serão poucos dias mas suficientes, espero, para mergulharmos de cabeça no modo-férias. Pés descalços, poucos horários e viva o Verão que é muito bom e passa a correr. Até já.

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Mais coisas boas: ver outros bebés com dodô.

Último dia

Hoje descobri um saco cheio de bichos de pano que fiz para a L. quando ela ainda não tinha um ano. Tinha-me esquecido completamente deles. Fiquei com vontade de fazer outros para a R., talvez um pouco maiores, talvez com guizos dentro. O touro fez-me lembrar este outro do grande Sebastião Rodrigues. Ciclicamente reapaixono-me pelo trabalho dele e cada vez que pego neste livro fico com vontade de arrancar as páginas e espalhá-las pelas paredes da casa.

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Amanhã é o último dia de escola para a L. Agora só em Setembro numa escola nova. Apesar de algumas dificuldades durante o ano que passou, vou ter saudades desta escola que tem bonecos de todas as cores, refeitório-esplanada no Verão e pneus no recreio como os da minha antiga escola. Custam-me sempre um bocadinho as despedidas. Espero que a ela não.

SEBASTIÃO RODRIGUES – DESIGNER
Fundação Calouste Gulbenkian, 1995

Fim-de-semana

O jardim é cada vez mais nosso. Já só falta uma destas noites fazermos isto.

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Finalmente fiquei a saber como é que a máquina de costura funciona. Uma verdadeira revelação!

Encomenda pronta

Está pronta a encomenda. Três dodôs + uma manta de Verão + um saco para transportar uma muda de roupa. Tudo para o mesmo bebé. O saco pode ser levado dentro de outra mala ou mochila, carregado ao ombro ou pendurado no carrinho. E pode ser para o bebé ou para a mãe. Cada vez gosto mais de objectos polivalentes.

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E que bonita que é Lisboa.

Um disparate de uma ideia

Pergunta – Qual é a grande vantagem de lançar desafios a mim mesma e a mais ninguém?

Resposta – Se me apetecer mudo as regras todas. Ou acabo mesmo com o desafio.

Foi o que eu fiz – desafio abortado. Ao terceiro dia, quando me preparava para fazer outra coisa em menos de uma hora, percebi que era um disparate de uma ideia. É possível fazer muitas coisas no espaço de uma hora. Mas não é possível que alguma coisa fique realmente bem feita. Gosto muito das calcinhas que fiz para a R. e vou fazer mais de certeza. Mas desde que as acabei que não penso noutra coisa que não seja refazê-las. Porque na verdade o elástico das pernas está uma trapalhice. E do que eu gosto mesmo é dos acabamentos perfeitos. É isso que me faz querer usar alguma coisa muitas vezes. E é esse o gozo que a costura me dá.

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Depois disto resolvi acabar com mais calma a manta de Verão de bebé que me foi encomendada há uns dias.

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E as etiquetas para os dodôs já estão prontas.

Em menos de uma hora – I e II

O tempo que estou a demorar para acabar a manta de retalhos começa a desesperar-me. Talvez porque corro o risco de ela já não vir a servir para tapar a R. dadas as dimensões de uma e de outra.

Na verdade o que eu queria era que os dias tivessem o dobro do tempo. E já agora as noites também. Como não me parece que tal venha a acontecer, o que me apetece mesmo é fazer coisas rápidas, de preferência tão rápidas que se façam no tempo de uma sesta da R. E assim nasce um novo desafio a mim mesma – fazer todos os dias qualquer coisa que fique pronta em menos de uma hora. Durante sete dias.

Estes são os dois primeiros resultados. Um mini-vestido e umas calcinhas (adoro esta palavra. Faz-me lembrar a minha avó que também dizia boa nôte em vez de boa noite e tutu em vez de rabo). Cada coisa demorou menos de uma hora a fazer, uma ontem e outra hoje. As calcinhas demoraram mesmo pouco mais de meia hora e estou muito contente com o resultado. Parece-me a roupa de Verão perfeita para um bebé. Aproveitei para estrear o ponto da máquina de costura indicado para coser elástico, o que não se revelou uma tarefa muito fácil.

Os botões do vestido foram descobertos numa caixa com centenas de botões vintage, quase todos medonhos, numa retrosaria da Baixa. Por estes apaixonei-me porque parecem rebuçados de morango. Vou ficar atenta, não vá a R. decidir comê-los.

Oito meses

Já se explica muito bem quando quer alguma coisa que não está ao seu alcance – Adora ver-se ao espelho – Tosse de forma intencional para chamar a atenção – Deixou de gostar do banho – Observa tudo o que a irmã faz com muita atenção – Estreou-se a andar às cavalitas do pai – Foi pela segunda vez cortar o cabelo no cabeleireiro – Eu quase podia jurar que diz mamã (mas devo estar a delirar).

Dodôs novos

Tenho tido tantas reacções boas aos meus dodôs que resolvi fazer mais, embalada pelo entusiasmo e pelo prazer de os ver rumar para junto de outros bebés. E para que não se torne confuso, até para mim, numerei-os. Os números 1, 2 e 3 são da R., o 4, o 5, o 6 e o 7 já partiram para novos destinos. Os restantes são de quem os apanhar, como diz a canção. Muito obrigada por todas as palavras simpáticas.

O verso dos 9, 10 e 11 está aqui. E o dos 12 e 13, aqui.

E falta explicar de onde vem o nome dodô: a L. teve uma colega de creche francesa que andava sempre com uma fralda de pano a que chamava doudou (pronuncia-se dudu). Nesta fase a L. também já tinha aderido ao aconchego da fralda branca e de um gato de pano que usava apenas na hora da sesta. Não sei qual das duas aportuguesou o termo mas desde essa altura a palavra tornou-se património familiar cá em casa juntamente com tintim, palavra que a L. criou para designar o biberon de leite morno. Quando a R. nasceu e se revelou uma adepta de chucha eu inventei este substituto mas mantivemos o nome.

Da comida

Eu, que sou olhada um pouco de lado por muitas pessoas por ter tantas preocupações com a alimentação, nomeadamente com a alimentação das minhas filhas, estou farta de me esforçar por entender como é possível achar-se normal que as crianças de 2, 3, 4, e 5 anos comam regularmente na escola coisas como tulicreme, leite com chocolate e batatas fritas. E, apesar do esforço, continuo sem entender.

Pior ainda é quando as crianças que têm hábitos mais saudáveis como comer vegetais em todas as refeições, beber leite sem nada acrescentado e saber que os doces são para dias especiais, são vistas pelos adultos como pobres desgraçadinhas por lhes estar a ser negado o melhor da vida. Não está. O melhor da vida não é, não deveria ser, não pode ser estar-se viciado em açúcar, sal e gorduras quase desde que se nasce. Eu, que me sinto cada vez mais um misto de convicção e lirismo (para o bem e para o mal), continuarei, apesar de dar mais trabalho do que comprar chocapic e coca-cola, a promover cá em casa o entusiasmo pela chegada da fruta de Verão e por comer cenouras cruas lavadas no chafariz do jardim.