Bules e gorros

bules by you.

gorros by you.

Longe de me apetecer já o Inverno, passei o dia a pensar nele. E em gorros grossos de lã. E em bules de chá.

Estes são de plástico e vieram da Guiné Bissau onde são usados pela população muçulmana para a lavagem de pés e mãos que precede as várias orações diárias. Adoro-os. Pelas cores e pelo insólito de serem de plástico. A L. gosta deles pela escala, igual à dos a sério e gigante perto das chávenas pequeninas das bonecas.

Os gorros tricotei-os há uns meses já a pensar no próximo Inverno. Têm o modelo mais simples e o meu preferido. Em quatro anos de vida a L. já teve uns dez, de várias cores, com riscas e sem riscas, com pompons e sem nada.

Pensar em lãs e tricot ajuda-me a aceitar melhor o facto de que um dia destes vai ser Inverno outra vez.

Os meus dias

lisboa by you.

lisboa by you.

Fim do trabalho de duas semanas fora de casa. Fim da hora de almoço solitária que tão bem me soube nestes dias e que incluiu sempre: deslumbrar-me com esta vista + absorver a luz especial deste jardim + mergulhar num livro durante quarenta minutos + deliciar-me com as minhas últimas criações de almoço em formato pic-nic – Polenta com manjericão; Cous-cous com meloa, azeitonas e salsa; Salada de arroz com lentilhas e coentros; Fusili com atum, manjericão e alface. Estou a tornar-me uma especialista em pic-nics.

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Já a pensar no Outono: a última Small.

A poesia está na rua

a poesia está na rua by you.

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Eu já tinha lido sobre o assunto nesta crónica da Catarina Portas publicada no Jornal Público. Mas ainda não tinha visto. Agora que já vi adorava poder agradecer pessoalmente a quem não só teve esta ideia maravilhosa como ainda se deu ao trabalho de silenciosamente a pôr em prática. As portas muradas das casas abandonadas de Lisboa ganharam o azul mais bonito e chamaram a atenção para este problema do centro da cidade da melhor forma que há: com um azul que grita mas sem barulho, sem estragar, sem partir. Eu aqui agradeço. A esperança é azul. E por vezes a poesia volta a estar na rua.

Domingo

domingo by you.

domingo by you.

Este blog não mostra a vida toda, naturalmente. Só bocadinhos escolhidos a dedo. Dos blogs que mostram tudo eu não gosto. Por isso este continuará a ser para mim um reduto das coisas boas que eu vivo, que eu vejo, que eu quero fazer. Mesmo que a parte da vida que é triste, que custa e que se complica continue a correr em simultâneo.

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Novo ritual das noites: a L. chama-me já deitada e às escuras para me dizer que se esqueceu de como se faz para dormir. E eu explico-lhe, sempre como se fosse pela primeira vez, que “tens de fechar os olhos, ficar muito quietinha e esperar que o sono chegue”.

BOYS GROUPING
Toldo de Wilson Shieh
Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

Oportunidade

árvore by you.

Os chineses usam o mesmo caracter para as palavras Crise e Oportunidade. Faz todo o sentido.

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Continuar a repetir, mentalmente e em voz alta – vai correr tudo bem, vai correr tudo bem, vai correr tudo bem

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Primeiro dia dos próximos quinze. A trabalhar fora de casa nine to five como há muito tempo não acontecia. Momento alto: a hora de almoço passada no jardim com a melhor vista de Lisboa a ler “A Mulher Certa” de Sándor Márai quarenta minutos seguidos sem interrupções. Mesmo sozinha gosto de fazer pic-nics.

Gosto deste salão vermelho, com os seus móveis de tempos revolutos, gosto das velhas empregadas, da praça concorrida vista por detrás das janelas e das pessoas que entram. Há uma espécie de calor em tudo isto, um ambiente fim-de-século no conjunto. E aqui o chá é melhor, já te deste conta?… Sei, as mulheres de agora já não vão às pastelarias. Vão aos cafés, onde tudo é à pressa, e nem se podem sentar tranquilamente, o café custa quarenta fillér, o almoço é uma salada, eis o novo mundo. Mas eu ainda pertenço ao outro mundo, ainda preciso desta pastelaria tão elegante, com mobiliário e tapeçarias de seda vermelha, velhas condessas e princesas, aparadores espelhados. Não fico aqui todo o dia, como podes imaginar, mas no Inverno venho algumas vezes e sinto-me cá muito bem.

A MULHER CERTA
Sándor Márai
Publicações Dom Quixote, 2007

Nove meses

nove meses by you.

Tanto tempo dentro da barriga como fora dela, embora eu sinta o contrário – desde que nasceu o tempo voou. Já dorme a noite inteira, das oito às sete. Tira a fralda sozinha, por vezes com resultados desastrosos (que fazem as delícias da L., claro). Gostou da praia e de andar de barco. Estica os braços para pedir colo. Não gosta de estranhos. Conseguiu várias vezes pôr a chucha sozinha. Os dois pés são os rebuçados preferidos.