Depois da tempestade

depois da tempestade by you.

depois da tempestade by you.

Depois da verdadeira tempestade tropical de sábado que tornou o jantar numa esplanada com uma amiga e três crianças numa noite de aventura memorável, a bonança de passear no jardim só com uma filha dedicando-lhe todo o tempo e atenção.

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Por vezes o mundo parece mudar muito, muito devagar. E depois há fotografias como estas que me mostram exactamente o contrário — as mudanças gigantescas que tem havido e as voltas que o mundo dá (via 5-au-sac).

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Ainda sobre livros e bibliotecas

livros by you.

Para mim ir à biblioteca não é apenas poupar dinheiro. É principalmente tornar os livros um assunto emocionante no dia-a-dia. Há sempre livros novos cá por casa. E esses livros, depois de lidos e relidos, são devolvidos e aparecem outros. E quando os novos aparecem, é sempre uma surpresa e uma coisa boa. Na verdade, por vezes os livros tornam-se uma praga que se alastra por todas as divisões, por todas as prateleiras, mesas, cadeiras, chão. Às vezes apetecia-me ter uma casa muito zen, com meia dúzia de objectos: três camas, três cadeiras, três copos, três garfos, três escovas de dentes… e pouco mais. Talvez um dia consiga qualquer coisa próxima disso. Mas dos livros sei que nunca vou conseguir prescindir.

Cresci numa casa cheia de livros.  E quando um dia fui viver para a minha primeira casa já levava comigo uma estante cheia deles. Depois vivi em dez ou onze casas diferentes (já nem tenho paciência para as contar) e cada vez que mudei de uma para outra os livros foram sempre a coisa mais difícil de transportar: muito peso, muito pó, muitos caixotes. Dessas casas apenas numa os livros não ficaram na sala porque tinhamos dois escritórios e foi aí que os arrumámos. No dia em que deixámos essa casa percebi que a ausência dos livros na sala a tinha tornado, durante o ano que lá vivemos, um espaço estranho, de passagem, pouco acolhedor. Por não ter livros. Uma sala sem livros parece-me sempre uma loja de móveis. Na casa actual vingámo-nos e cobrimos uma parede enorme da sala com umas prateleiras feitas à mão por um super carpinteiro. É lá que estão quase todos os livros. Fora todos os outros que circulam pela casa.

Também sou muito possessiva com os livros. Porque gosto de os ler, de os ter e de os fazer. É um dos objectos do meu trabalho e o design editorial sempre foi uma das minhas áreas preferidas.

As bibliotecas também têm outro papel importante – ajudam-me a controlar o meu instinto. Aquele que me faz ter vontade de comprar dez livros por dia.

O Verão quase aqui

dia da espiga by you.

pois by you.

pois by you.

Hoje – cumpri o ritual do dia da espiga. Como no ano passado e desde há muitos anos.

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Ontem – fui, finalmente, ao Pois Café. É o segundo café austríaco que me encanta em Lisboa (embora sejam tão diferentes um do outro), o que me leva a confirmar que de cafés percebem os nórdicos. Sorte a nossa que agora os temos por cá. O bónus de lá ir é poder fazer companhia aos turistas pelas ruas em volta da Sé (linda, magnífica Sé), absorver a maravilhosa luz de Lisboa e sentir no ar o cheiro das primeiras sardinhas assadas. Daqui a uma semana estarei numa qualquer tasquinha a comê-las.

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Na última semana – tornei-me oficialmente uma viciada no Leite Perfumado dos Quiosques de Refresco. Ando a lutar contra mim mesma, na tentativa de não beber mais do que um por dia. Mas não está a ser nada fácil…

Monstros em casa

max... by you.

... et les maximonstres by you.

pesadelo by you.

Das duas bibliotecas do costume (esta e esta), vieram dois fabulosos livros criados nos anos 60 que encheram a nossa casa de monstros. Só a R. ainda não os conhecia e a página de que mais gostou foi a única em que aparece um cão, um dos temas favoritos do momento.

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Eu adorava saber quantas pessoas frequentam bibliotecas regularmente. Tenho a sensação de que poucas. E não consigo entender porquê. Haverá melhor coisa do que ter milhares de livros à disposição a custo zero? [Nas Bibliotecas Municipais de Lisboa a consulta e o empréstimo de livros são gratuitos. No caso da Mediateca do IFP o valor da anuidade é próximo do preço de UM só livro comprado numa livraria).

MAX ET LES MAXIMONSTRES
Maurice Sendak
L’école des loisirs, 2006

UM PESADELO NO MEU ARMÁRIO
Mercer Mayer
Kalandraka Editora, 2004 

Bilal em Lisboa

prédio by you.

bilal by you.

O prédio que fica mesmo em frente da minha casa entrou finalmente em obras de recuperação. É um edifício muito bonito, suponho que dos anos 30, que está há anos vazio e que eu espero ver bem recuperado a bem de Lisboa e da minha vista doméstica. Mas agora que finalmente a obra começou é com um bocadinho de nostalgia que me despeço do seu aspecto de desenho do Bilal, com a sua tinta descascada e manchas de humidade. Habituei-me a vê-lo assim. Também terei de me adaptar ao facto de passar a ter vizinhos a poucos metros do meu nariz. Acho que vou fazer umas cortinas.

LA FEMME PIEGE
Enki Bilal
Dargaud Éditeur, 1986

Grande pequenina

barba by you.

barba by you.

No último mês passou a tomar banho sozinha e a fazer a sua cama ao fim-de-semana. Sabe fazer, praticamente sem ajuda, uma tarte de vegetais para o jantar. Faz perguntas espertas sobre tudo pois tudo a interessa. Senta-se, compenetrada, a fazer os trabalhos da escola e trata os cadernos como objectos muito importantes. Tem tido ciúmes da irmã mas di-lo claramente, o que é meio caminho andado para os podermos ir resolvendo. Continua tímida nos primeiros contactos mas em casa ou entre amigos é exuberante e espevitada. 

Minha grande pequenina.

Saco

bolas by you.

bolas by you.

Pausa entre dois trabalhos. Devia aproveitá-la para arrumar a casa que está à beira do caos, apanhar a roupa que está estendida há três dias, entregar os livros de duas bibliotecas que amanhã passam a estar atrasados. Em vez disso passo a manhã a fazer um saco com um tecido vindo da Turquia mas que de turco tem muito pouco. Ficou mais largo do que o previsto mas isso apenas o torna mais apto a carregar tudo o que é preciso para ir para a praia um dia destes, quando a Primavera se dignar instalar-se de vez. Por hoje carreguei-o com a tralha do dia-a-dia e o ramo de flores de plástico que a L. me ofereceu, radiante porque “assim não estragamos as flores do jardim”.