Mudando

bolachas e youtube by you.

caixote by you.

As crianças têm uma capacidade de adaptação impressionante. A nossa casa está transformada num estaleiro de caixotes e esta é a mudança mais caótica por que já passei. Mas, mesmo assim, as minhas filhas mexem-se por aqui como se tudo fosse absolutamente normal e como se sempre tivéssemos vivido no meio desta confusão. 

Depois de uns dias de brincadeiras com os caixotes, hoje deixaram simplesmente de lhes prestar atenção. Uma lata de bolachas e música francesa no youtube são assuntos muito mais interessantes.

A banda sonora destes dias (o que nos temos divertido a ouvi-la)  — + + (Brigitte Bardot + Sofia Coppola = ♥)

Caixotes no chão

caixote by you.

caixote by you.

Abriu a época dos caixotes. Faltam só dois dias. 

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A coisa de que vou sentir mais falta, penso eu agora, é este chão. Adoro as tábuas velhas e gastas, cheias de imperfeições. O chão da casa nova é de cortiça, nem muito feio nem muito bonito. Cada vez que lá vou fico a pensar que é perfeitamente tolerável. Mas depois volto para aqui, olho para a madeira… e confirmo que não há nada como um chão de madeira antigo.

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árvore by you.

Um amigo dos meus pais, daquele grupo que sempre esteve ali, que já existia antes de eu nascer. Nos acampamentos, nas festas, nos jantares. Naquelas noites em que era bom ir para a cama e ficar a ouvir as vozes dos adultos a conversar na sala.

Um amigo meu, também. Até sempre, querido Manel.

O coro

coro by you.

Se há coisa capaz de me comover é ver um bando de crianças muito concentradas a executar uma tarefa. Quando, ainda por cima, a tarefa é cantar, estão reunidas as condições perfeitas para a comoção dar em lágrimas. 

O ano escolar da L. acabará esta semana e eu não podia estar mais contente com a escola para onde ela entrou em Setembro passado (enfim, na verdade podia estar mais contente com a alimentação). A apresentação do coro da pré-primária foi um bom exemplo daquilo que mais me agradou ao longo do ano — o trabalho é sempre a questão central, a mais valorizada. Nas escolas que eu fui conhecendo ao longo dos últimos anos esta festa para os pais verem os seus rebentos brilhar teria dado direito a fatiotas, a lanche, serpentinas e a tarde inteira sem fazer mais nada. Aqui, pelo contrário, a coisa resumiu-se a meia dúzia de canções muito bonitas e muito bem ensaiadas, os pais todos babados e a seguir de volta para as salas que há outras coisas para fazer. 

O ano acaba em glória com os parabéns entusiasmados da professora pelo desempenho da L. Em Setembro começará o primeiro ano da escola dos crescidos.

Osso duro de roer

osso duro de roer by you.

Há mais de treze anos que deixei de comer carne.

Durante algum tempo respondi, expliquei, justifiquei-me quando me perguntavam porquê ou cada vez que me confrontava com ares de espanto, risinhos de escárnio ou olhares enjoados virados para o céu. Umas vezes irritava-me. Outras respirava fundo e explicava, tentando ser pedagógica. 

A certa altura deixei de o fazer. Não tenho jeito nenhum para pregadora. Acho cada vez mais que cada pessoa é responsável pelas suas escolhas e eu não tenho vontade nenhuma de andar sempre a justificar-me.

Hoje em dia é muito raro esta questão ser tema de conversa. Por um lado porque toda a gente à minha volta está mais do que habituada. Por outro porque em treze anos as coisas mudaram bastante e actualmente já muito menos pessoas acham que se trata de uma excentricidade ou de um devaneio inconsciente. 

Deixei de tentar espalhar a palavra mas mesmo assim dou por mim a ficar contente quando oiço, numa rádio de enorme difusão como a TSF, o jornalista Fernando Alves a fazê-lo por mim. Vale a pena ouvir até ao fim.