Transformar

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Para disfarçar as saudades, nada melhor do que fazer-lhes prendas para as receber no regresso. Umas calças que já não servem passaram a ser duas malinhas com a ajuda dos galões que a minha mãe me trouxe de Estremoz.
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Agosto em Lisboa

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Elas foram de férias com o pai e eu, por aqui, confirmo que, no meu bairro, Agosto é o mês mais silencioso, com mais espaço livre nas ruas e nos cafés e em que nada parece acontecer.

E, no entanto, todos os dias se passam coisas nestas esquinas…

K.I.S.S. *

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Coisas simples e boas:
. Entregar esta alcofa de bonecas e conhecer finalmente a Elodie que tem um blog lindo cheio de fotografias que eu adoro.
. Entregar este kit de manta, lençóis e almofada e conhecer a Patrícia.
. Adorar conhecer pessoas que não existiriam para mim se não tivesse este blog.
. Ver a L. receber pelo correio um postal lindo da prima mais velha que está longe mas sempre presente.
* Keep It Simple Stupid

As tapadas

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É o que a R. chama às mantas. Eu adoro o nome e já dei por mim a usá-lo — Onde está a tua tapada?
A da L., que tem sido feita a conta-gotas, ficará pronta até ao fim do mês — jurei a mim mesma. A seguir quero fazer uma para a casa nova da minha mãe, uma para o S. — um grande desafio, fazer uma manta de retalhos para um rapaz adolescente — e, claro, uma para a R. que já fica com os pés de fora na sua de bebé.
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No meio das casas semi-destruídas, que são sempre as minhas preferidas no meio das outras arranjadinhas mas cheias de alumínios e azulejos medonhos, há uma (a da primeira fotografia) que me enche de alegria porque está prestes a ser salva pela minha mãe. Um dia destes já lá poderemos ficar.
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Palavra procura-se

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Em minha casa há um grau de parentesco para o qual ainda não foi inventado nome.

Já em pequena tive este problema — eu, os meus irmãos e os filhos da mulher do meu pai, com quem criámos relações muito próximas e importantes, por vezes precisávamos de explicar a alguém de fora o que nos ligava e quase tinhamos de contar a história da família para o conseguir. Simplesmente porque não havia palavra para definir o que éramos uns aos outros. Um dia, eu e o M. passámos a dizer: somos quase-irmãos. E um novo substantivo nasceu.

Agora olho para os filhos cá de casa, três do J. e duas minhas, e volto a constatar que as relações que os unem não têm nome oficial. Não são irmãos porque não têm a mesma mãe nem o mesmo pai mas, em quase tudo, funcionam como tal porque vivem na mesma casa e a família é a mesma. Quanto tempo será preciso para nascer uma nova palavra?

Quanto a mim, não me posso queixar — para além de mãe de duas filhas passei a ser madrasta com três enteados. As palavras fazem-me rir, porque me lembro logo das madrastas horríveis das histórias infantis. Tudo o resto me enche de orgulho.

Alcofa n. 13

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Antes de rumar a Sul respondi ao pedido da Sandra que me escreveu a perguntar se eu lhe podia fazer o recheio de uma alcofa que já tinha. Comecei por dizer que não podia ser porque preciso de ter a alcofa comigo para lhe fazer o forro à medida, mas como ela foi insistente e simpática (e às vezes a insistência resulta) eu acabei por lhe pedir que  me mostrasse uma fotografia da sua alcofa. E rendi-me. É diferente das minhas, de uma palha mais grossa e muito bonita. Foi-me trazida de mota — é a segunda vez que vejo uma alcofa a ser transportada de mota, coisa que eu pensava ser fisicamente impossível— e eu fiz-lhe o forro, uma manta, dois lençóis, uma almofada e um cartão de registo (mais detalhes aqui). Entretanto nasceu o Gabriel. Parabéns, Sandra!
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Das férias

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Para crianças da cidade, como as minhas, um pequeno pátio com céu em cima e chão de pedra em baixo depressa se torna uma extensão da praia e da festa que é o Verão. Quanto a mim, adorava voltar a ter um tanque na varanda como todas as casas tinham quando eu era pequena antes da febre das máquinas e da falta de espaço ter posto toda a gente a livrar-se deles.