Copo meio cheio

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A verdade é que me apetecia fazer uma birra por o Verão já ter passado, por ter ido pouco à praia e por sentir que não carreguei as baterias o suficiente para as estações que aí vêm.
Mas, não tendo já idade para birras, meti na cabeça que hei-de encontrar e tentar ter sempre presente as vantagens, porque as há, da chegada do Outono.
Primeira: já que estará frio e chuva e vento lá fora, trazer o verde para dentro de casa. É raro o dia em que não trago um ramo de árvore, umas folhas com umas bagas de cores lindas — tudo apanhado nos caminhos que faço a pé, dos arbustos silvestres e das árvores por podar junto às estradas. Ponho tudo em jarras ou colo nas paredes e trato-as como se tivessem vindo de floristas sofisticadas.
Segunda: mantas e mais mantas pela casa. Tapadas para as meninas e a Manta Pastor que o João não larga desde o primeiro dia de Outono até voltar a Primavera. Só de olhar para ela já me apetece um bocadinho mais que fique frio.
Terceira: emoldurar, finalmente, o desenho de uma árvore que a Leonor fez há uns meses e que todos adoramos cá em casa. Pôr coisas nas paredes põe a casa confortável e torna-a ainda mais nossa.
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Micro-alcofas

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São muito mais pequenas do que as do costume. A pensar no Natal que — parece mentira — não tarda nada está aí. Cada uma tem um cartão para pôr o nome da criança ou da boneca que lá dormirá. Estas duas estão na loja da Rosa. Muitas mais hão-de aparecer por aqui.
Estou radiante com o meu dedal de silicone da Retrosaria. Não tem sido fácil adaptar-me aos dedais normais. Talvez agora me desapareçam os calos que as agulhas me têm feito nos dedos.
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Por aqui

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A minha casa tem girafas — os restos de uma colecção que comecei com doze anos e de que me fartei lá para os trinta. Eram imensas, sobraram estas.
O meu bairro tem sapatos, muitos sapatos. Dispostos com esmero em cada esquina, em cada cantinho, à espera de novo dono. Mal tenho tempo de os fotografar porque desaparecem num piscar de olho. (1 + 2).
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Cinema Europa

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Se há bairro onde faz sentido que haja um cinema é o de Campo de Ourique. Aqui os moradores fazem mesmo vida de bairro, têm programas dentro do bairro, enchem as esplanadas e as ruas numa azáfama digna de se ver. De manhã é um corropio entre a praça, os supermercados, a padaria e os cafés. À noite, mesmo durante a semana, as esplanadas têm pessoas a beber um copo ou um café e há quem compre jornais na tabacaria e passeie no jardim. Um cinema faz aqui todo o sentido. E — até me atrevo a dizer — as pessoas de Campo de Ourique mereciam-no. Porque são muito orgulhosas do seu bairro e vivem-no como acontece pouco Lisboa fora.
E mais — se a programação do Cinema Europa fosse um bocadinho diferente da das grandes salas cheias de blockbusters descartáveis, muitas outras pessoas de Lisboa aqui viriam.
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Isto era eu a sonhar. A realidade é outra — o Europa já está a ser demolido.
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Vila

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No caminho entre as duas escolas onde as deixo de manhã há uma vila de casas que parecem de bonecas. À frente de cada porta há um tanque daqueles que entretanto desapareceram das varandas dos prédios que conheço.
Eu gostava de ter um em minha casa para poder lavar algumas coisas à mão e para as deixar brincar como nas férias. Mas não gostava de não ter escolha e de estar obrigada a esfregar a roupa toda ao ar e ao vento, faça chuva ou faça sol. Há coisas que só ficam bem nas fotografias e na nossa nostalgia da infância. E não há nada como poder escolher.
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