O ponto final

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Não cumpri a promessa mas consegui ter a manta pronta a tempo dos anos da L., que tem sabido esperar mas perguntando regularmente — quando é que está pronta?
Abriu o embrulho com os olhos a sorrir porque, agora que sabe este livro quase de cor de tanto o ler, dá-lhe ainda mais valor e já me pediu várias vezes para fazer o mesmo que a avó da história faz. E eu faço: — este tecido comprei-o com a avó para fazer uma camisa de dormir para mim, para levar para a maternidade, quando tu nasceste. Mas depois percebi que era grosso demais e não se fez. Este era de uma fronha de almofada que comprei no Largo do Rato. Este foi a avó que trouxe da Guiné. Este foi a Tia J. que me deu e acho que era de uma toalha de mesa.
Ela adora ouvir esta lenga-lenga. E eu também.
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Dei o último ponto na manta aqui, entre pessoas que sabem a importância do ponto final e do último remate. Foi uma sorte e de alguma forma marcou o fim deste ano que foi tão importante de tantas maneiras. Agora estou pronta para uma nova manta e para virar a esquina, mais uma vez.
Feliz ano novo!
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Destes dias

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Coladinho a cada dia de Natal chega sempre mais um ano para ela. São já sete. Enormes e pequeninos, tudo ao mesmo tempo. Adorou a secretária de menina crescida e o beliche que a promoveu às alturas, mas continua a adorar os smarties obrigatórios do bolo de anos e a dormir agarrada ao gato que lhe fiz há uns anos.
Dois clientes da Venda de Natal lembraram-se de juntar duas alcofas minhas a uma menina da Rita e a um macaco da Rosa. Uma bela combinação, quanto a mim.

Na Retrosaria

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Para mim, que nunca tinha participado em nenhuma venda ou feira, foi uma experiência única estar na loja da Rosa. De um momento para o outro houve quatro pessoas que deixaram de ser virtuais e se tornaram de carne e osso. E se eu já calculava — por lhes admirar tanto o trabalho — que iria ser muito bom conhecer outras autoras, esqueci-me de ter presente que por trás de tanto talento só pode estar muita inteligência e sentido de humor. E por isso, para além do trabalho e da partilha de experiências ligadas ao trabalho, foi um prazer enorme conhecer cada uma. Quanto à Rosa, descobri-lhe mais um talento — o de saber juntar pessoas.
O único problema disto tudo — nos últimos dias não me tem apetecido nada trabalhar sozinha.

Venda de Natal

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É já a partir de sexta-feira, dia 17, e vai durar até 23 de Dezembro. A ideia foi da Rosa, que teve a simpatia de nos convidar — a mim, à Rita Cordeiro, à Diane, à Rita Pinheiro e à Ana Ventura. Estaremos, com os nossos trabalhos, na sua linda Retrosaria nestes dias antes do Natal. Esperamos pela visita de todos — quem tem ainda prendas de Natal por comprar e quem quer ver ao vivo os trabalhos que só conhece virtualmente. Para nós as seis vai ser, de certeza, muito divertido.
Retrosaria — Rua do Loreto, 61 – 2º dto. – Lisboa
De 17 a 23 de Dezembro, das 10 às 19 h.
Encerra Domingo, dia 19.

Transformar

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Digamos que fazer uma prenda handmade para um rapaz de 13 anos com 1,80 m de altura no auge do estilo super cool da adolescência não é um desafio fácil. Mas acho que consegui superar a prova e assim já tenho prenda de Natal para o S., o rapaz cá de casa.
Peguei em três t-shirts dele que já estavam num saco para dar por não lhe servirem (o que ele cresce de semana para semana é impressionante) e transformei-as em almofadas para o seu quarto.
Fico a fazer figas até ao Natal para que ele não venha aqui espreitar.

Herança

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Há dez anos a minha mãe decidiu que eu merecia ficar com a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira que era dos meus avós. Tive sempre um enorme fascínio pelos seus 52 volumes, muito bem arrumados nas paredes forradas de livros do escritório-biblioteca do meu avô.
Em adolescente, num tempo estranho em que não havia internet, fui lá várias vezes consultá-la quando fazia trabalhos para a escola, o que, para além de me ajudar a estudar, me fazia sentir importante por já ter idade para precisar de usar aquela sala ultra-arrumada e silenciosa.
Por falta de espaço nas várias casas em que vivi entretanto, ela tem estado em casa da minha mãe, à espera. E agora, finalmente, tenho-a comigo. Perdeu o ar solene que tinha porque agora está no meio das minhas coisas, nesta casa cheia de crianças e confusão, mas para mim continua a ser uma referência e adoro o seu lado anacrónico, que me obriga a ter calma para procurar o que quero nos seus vários milhares de páginas. Tão diferente dos cliques frenéticos com que uso o computador.