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O livro que ofereci ao J. no dia dos seus anos não pára de me fascinar. Do ilustrador francês Blexbolex — aqui na versão espanhola da Editorial Kókinos que tem um catálogo que apetece explorar com atenção — é fabuloso no uso que faz da cor (impressão a apenas três cores, sem preto) com sobreposições de manchas que criam novos tons, e nas ligações que faz entre cada par de personagens. Parecendo tão simples, cada dupla página dá imenso que pensar. Lindo, para crianças e adultos. 

As árvores da escola da R. foram hoje podadas e o recreio tornou-se um verdadeiro espectáculo de folhas, troncos e bagas de cores incríveis. Não resisti a trazer umas braçadas de ramos que já espalhei por jarras pela casa inteira.

A alcofa n. 59 tornou-se especial para mim por várias razões: foi a primeira que fiz para um bebé com o meu nome; tem um forro com um azul-céu que ainda não tinha usado e que estava mesmo a pedir um monte de estrelinhas brancas, e porque — facto assinalável — foi a primeira vez (em mais de 60 alcofas) que fui contactada pelo pai do futuro bebé, com quem combinei todos os pormenores. Só na entrega tive o prazer de conhecer a mãe. Felicidades, Pedro, Rita e Inês!

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Desafio branco II

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A ideia era continuar o Desafio Branco e diminuir mais um bocadinho a montanha de restos de tecidos que tenho no atelier. Pensei que demorasse uma hora a fazer um saco de pano para os orégãos (omnipresentes cá em casa porque são repostos sempre que vamos ao Sul).
Afinal tornou-se um berbicacho de costura que acabou por me ocupar muito mais do que eu queria e podia. O J. achou “giro mas uma mariquice” e eu só posso concordar com ele pois desde que o comecei que não páro de me lembrar de uma das maiores maluquices que já costurei na vida — esta.
A verdade é que está feito, é útil porque acabou com o detestável saco de plástico em que guardávamos os orégãos e, mesmo que muito pouco, a montanha branca de tecidos diminuiu.
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Amy

As primeiras vezes que a ouvi cantar na rádio, sem lhe ver a cara, imaginei-a uma mulher mais velha, negra e grande. Por causa da voz poderosa que jamais poderia ser a de uma menina. Mas afinal era mesmo uma menina com uma voz de outro mundo. Nunca percebi como era possível ter uma voz assim com aquela idade e com aquele ar franzino.

Quando gosto muito de um músico, de um escritor, de uma actriz, de um artista — e quando não têm uma idade assim tão diferente da minha — costumo pensar na sorte que é poder ir acompanhando, no futuro, o seu trabalho e o seu talento.

Com ela acabou aqui. E eu tenho uma imensa pena.

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Tenho uma fada em casa. Como se não bastasse o vestido, que para mim é já suficientemente rebuçado, ela ainda escolhe como acessórios umas asas e uma varinha mágica para ir para a escola em grande. E assim vai, esvoaçante, bairro afora, com uma alegria que não pára de me comover.

Encontrei, finalmente, para a L., os sapatos que mais usei na minha infância e adolescência. Devo ter tido mais de uma dezena de pares, com variantes de lona e de veludo, com flores bordadas ou destes mais simples que são os meus preferidos. Ela adora-os.

A mesa dos almoços em casa da minha mãe é sempre um deleite para a vista.

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Gosto de coisas velhas

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Adoro flores novas em jarras com água fresca. E depois gosto de as ver ficar velhas e secas, com outras cores e texturas.

Adoro, já se sabe, encontrar coisas velhas na rua. Este móvel estava à porta da escola da L. no meio de lixo pronto a ser recolhido. Vai precisar de algum restauro mas eu estou simplesmente encantada com as suas 15 gavetas (13, porque faltam duas) de tamanho perfeito para o material de costura que anda sempre espalhado cá por casa.

A minha mãe deu-me esta ilustração da sua infância, parente dos santinhos e anjinhos com que se marcavam os missais. Estas maiores eram usadas para colar nas capas dos cadernos novos já que no verso tinham uma cola como as dos selos de correio. Um luxo pioneiro dos actuais cromos autocolantes que eu acho que se tornaram uma praga.

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Mais Sul

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Mais uns dias a Sul que desta vez deram direito à viagem de barco inaugural para a ilha da minha infância (da minha vida quase toda, na verdade).
Vimos passar em procissão a santa padroeira da terra e constatei que, pelo menos por aqui, a tradição de pôr as colchas à janela já não é o que era. Esta foi a única que vi.
Chegada a casa, tenho este assunto para resolver — o que fazer com a mega-abóbora que as minhas filhas me trouxeram de um passeio com o pai? Sopa, doce, abóbora no forno com noz moscada são já planos decididos mas aceitam-se sugestões porque a dita é gigante. E linda. Vou ter pena de a partir.
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Explicar

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Como explicar a uma criança de três anos esta imagem de uma menina com um pano de um belíssimo amarelo? Eu fiquei sem palavras. Não consigo explicar-lhe aquilo que eu própria tenho dificuldade em perceber. Ela decidiu que era uma menina com uma capa para a chuva. Eu achei que, por enquanto, podiamos ficar por aqui. Entretanto vou pensando na melhor forma de lhe apresentar alguma da estranheza deste mundo.
Talvez uma hipótese seja dizer-lhe que, mesmo agora que os bichos já deixaram de falar, ainda há homens a quererem beijos. Talvez.
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Lisboa

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Estou mesmo apostada em aproveitar este Verão pois uma das coisas mais importantes que tenho aprendido com os anos é que se não carrego as baterias agora —sol, sardinhas, praia, ameijoas, papo para o ar num jardim qualquer — então o Inverno que se segue custar-me-á o dobro a passar. E como já sei que só vou poder sair da cidade durante uns bocadinhos, esforço-me por aproveitar Lisboa no seu melhor.
Feira da Ladra e seus arredores, sardinhas em Alfama ao jantar (a dois — coisa rara!) e fim da noite a ver a maravilha que é o Tejo com luar, sabem-me a luxo supremo, para quem tem passado os dias a trabalhar contra-relógio e sempre sem ter mãos suficientes para tudo o que tem para fazer. Viva Lisboa!
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Azeitonas com laranja

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Se há coisa de que todos gostamos cá em casa é de azeitonas. Comemo-las durante o ano inteiro mas, assim, com laranja, sabem verdadeiramente a Verão. Faço-as desta forma:

Azeitonas (pretas, verdes ou das duas misturadas)

Casca de laranja cortada em tirinhas

Alho picado

Louro

Orégãos (do Algarve, comprados num mercado junto ao mar, sempre!)

Azeite

Vinagre balsâmico

Tudo misturado numa tigela. Deixam-se tapadas no frigorífico durante uns dias — se se conseguir resistir tanto tempo, o que nem sempre é humanamente possível.

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Sul

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Fomos num pulo ao Sul. Comemos as primeiras sardinhas e demos o primeiro mergulho do ano. Confirmámos que, no Verão, é por lá que se está mesmo bem e tivemos a deliciosa surpresa de descobrir que há um comboio da CP que homenageia um dos meus filmes preferidos de sempre. Quanto à casa, embora ainda no meio de alguns restos de obras, já lá dormimos e muito bem.

Desafio branco I

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Por mais que eu tente cortar os tecidos de forma a ter o mínimo possível de desperdícios há sempre bocados que sobram. Ora como eu, literalmente, não consigo deitar fora nem um micro-retalho (sempre a pensar no que aquilo poderá vir a dar) o meu atelier tem vindo, de forma galopante, a transformar-se num armazém de tecidos em vez de um espaço onde é possível trabalhar. Tenho lá de tudo — sacos com retalhos médios, sacos com tiras,  sacos com retalhos de tamanhos variados e, finalmente, sacos com minúsculos retalhos (a que muito boa gente chamaria um lindo e colorido lixo). Tudo isto para além das prateleiras com os tecidos ainda por cortar.
Decidi portanto lançar um Desafio Branco a mim mesma. Trata-se de arranjar formas de dar uso à montanha de restos de sarja branca que tem sobrado dos forros das mais de 60 alcofas de bebé que fiz até ao momento.
A N. encomendou-me uns sacos para uma amiga grávida levar as primeiras roupas do bebé para a maternidade. E eu fi-los em branco, com bolso para coisas pequenas (meias, luvas,…) e laço de trapilho fácil de abrir e fechar (sim, as grávidas gostam de confirmar muitas vezes que não falta nada). São numerados porque é divertido imaginar a roupa nº 1 e a nº 2 e a nº 3…
E, na verdade, são sacos para a maternidade mas podem servir para muitas outras coisas (que eu não gosto nada de coisas que só se usam uma vez). Por exemplo: um lanche para cada um dos três filhos; o pijama e a escova de dentes para ir dormir a casa de um amigo; o tricot ou o crochet. E os números podem servir simplesmente para os ensinar a um filho pequenino.
Estes já chegaram ao seu destino mas haverá mais em breve na loja.
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Sair

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Quando se está demasiado fechada no meu bairro, como me tem acontecido nos últimos tempos, uma simples ida ao médico que nos fez atravessar a cidade maravilhou-me como se tivesse ido ao estrangeiro. Tenho saudades de estar no centro mais centro de Lisboa, a verdade é essa. E, no entanto, não me posso queixar — eu sei. Campo de Ourique é um bairro cheio de vida, onde há de quase tudo, e nem toda a gente se pode dar ao luxo de fazer dos piqueniques e passeios no Jardim da Estrela uma espécie de rotina. Nós fazemos.

Verão III

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E para comemorar o Verão não há nada melhor do que ir a casa de amigos/família sortudos que têm este pátio, esta mesa e esta buganvília, levando pão feito em casa como nosso contributo para o almoço cheio de coisas boas. Desta vez fi-lo com azeitonas e com sementes torradas na frigideira e não conseguimos decidir de qual gostámos mais.
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Verão II

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O saco que comprei à Diane há dois meses tem sido usado todos os dias desde então (bem, talvez não nos dois ou três dias em que precisei de um saco maior) e cada vez gosto mais dele. O tecido, além de lindo de morrer, é de óptima qualidade e ultra-resistente e está feito com um cuidado que talvez o faça durar para sempre. Assim o espero porque estou viciada nele.

Adoro ver as flores encaixotadas acabadinhas de chegar ao Jardim aqui do bairro. E detesto vê-las espalhadas com um ar raquítico no meio de uma espécie de mato mal tratado que são os canteiros que por lá há. A trabalheira que deve dar tratar delas e o gasto de água que elas requerem parecem-me o mais parvo dos investimentos. Preferia mil vezes que as distribuíssem em vasos pelas janelas dos vizinhos aqui da zona e deixassem o jardim com plantas mais fortes que resistissem melhor às intempéries, aos pombos e aos gatos.

Outra das minhas actividades preferidas — embalar. Desta vez com uma caixa de bolo de aniversário que serve na perfeição para a primeira manta de retalhos de bebé que almofadei à máquina (mas que debruei totalmente à mão, claro). Está disponível aqui.