Lisboa…

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Ontem, enquanto eu aqui declarava o meu amor por Lisboa, era isto que se passava em pleno Largo do Chiado, no coração da cidade.
Nas imagens estão os jornalistas Patrícia Melo Moreira (Agência France Press) e José Goulão (Agência Lusa). Foram estúpida e violentamente agredidos por polícias, enquanto fotografavam uma manifestação. O relato, de viva voz, está aqui.
Portanto, Lisboa é uma beleza e um pesadelo também. E acho que nem preciso de dizer mais nada porque as imagens falam por si.
1. © Hugo Correia / Reuters
2. © Isabel Santiago Henriques / Lightshot

Dentro das gavetas III

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1. A primeira casa em que vivi sozinha parecia de bonecas. Agora que tenho de empacotar o recheio de oito assoalhadas em dois dias, só me ocorre suspirar quando olho para esta imagem.
2. Os desenhos da Rosa mostram tão bem a sua alma alegre.

Bairro

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Mudo-me para o bairro ao lado deste e sei que terei sempre muitos motivos para aqui voltar, mas mesmo assim, aos bocadinhos, despeço-me destas ruas.
Agora também eu já sei por que razão os moradores de Campo de Ourique são das pessoas mais bairristas de Lisboa.

Dentro das gavetas II

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Mudar de casa também é constatar que há imensas coisas que eu devia conseguir deitar fora e que não consigo. Como esta tralha (multiplicada várias vezes):
1. Caixas de fósforos vazias com andorinhas.
2. Revistas. Porque um dia destes hei-de voltar a fazer ilustrações com recortes.
3. Flores, pedrinhas, folhas de árvores, que as minhas filhas me oferecem a toda a hora.
4. Relógios avariados.
5. Documentos fora de prazo com fotografias horríveis e a minha assinatura a evoluir.
6. Recargas de tinta, aparos que não uso há anos, canetas giras que já não escrevem.
A Joana Cabral convidou-me para ir cozinhar a sua casa. E eu podia lá deixar de ir conhecer ao vivo a Menina Rapaz. Foi divertido e o resultado está aqui.

Dentro das gavetas I

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Mudar de casa também é descobrir, no fundo das gavetas, coisas de que já nem me lembrava. Como este livro que, para além de tão bonito, tem pérolas de texto como esta:
“Todo o individuo convenientemente aguerrido contra o frio e o calor, atravessará em perfeito estado de saude muitas circumstancias que fazem adoecer e muitas vezes morrer as pessoas mais fracas e efeminadas.
O fato, que primitivamente serviu só para agazalhar o homem do excesso do frio, permitindo-lhe afrontar temperaturas e climas que elle não poderia supportar desnudado, passou a ser usado em excesso, creando ao corpo humano um meio thermico constante e enfraquecendo-lhe por isso a superioridade do seu poder calorigeno que deveria manter o homem á frente dos animaes de sangue quente.
De todos os fatos e tecidos empregados até hoje, nenhum concorre tão podorosamente, como a malha de lã, para efeminar o homem.”
COLLECÇÃO DO POVO
Scientifica, Artistica, Industrial e Agricola
Tratamento Natural (Physiopathia)
João Bentes Castel Branco
Livraria Editora

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Tive uma ideia — este blog também pode servir para matar umas curiosidades que eu cá tenho. Esta é a primeira:
Não gosto de pessoas que não respondem quando entro num elevador e digo bom-dia. Quando eu era pequenina ensinaram-me que era assim que se fazia. Agora que sou crescida descubro que à maior parte das pessoas não ensinaram a mesma coisa. E portanto eu digo bom-dia e levo com o silêncio. E o que mais me irrita é a seguir ter de ficar ali, lado a lado, por uns minutos que seja, com a pessoa ou as pessoas que ostensivamente se recusaram a responder-me. E fico a pensar — no que estarão a pensar neste momento? Que eu sou um bocado esquisita por os ter cumprimentado? Que era o que faltava desejarem um bom dia a uma pessoa que não conhecem de lado nenhum?
Agora que eu contei o que me vai na cabeça nesses momentos, adorava que alguém me dissesse o que vai nas outras cabeças que vão dentro do mesmo elevador. Curiosidade pura. Alguém me explica?
Nota: na fotografia estou eu há 11 anos em Paris, num dos elevadores mais bonitos que já vi, com a cadeira vermelha que encontrámos na rua e que trouxemos para Lisboa.

Menos plástico

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Já há muito tempo que os lanches vão para a escola dentro de sacos de pano. Aliás, pouca coisa na minha vida não é transportada dentro de sacos de pano, não fosse eu uma Maria-Saquinhos. Mas dentro dos tais sacos muitas vezes iam caixas ou sacos pequeninos de plástico com o pão ou as bolachas. Agora acabou. Estes panos-com-trapilho-cosido embrulham os lanches e acabam com uma parte do plástico que ainda entrava cá em casa. Demorei 15 minutos a fazê-los.

Constatações

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1. Recortar também é bom.
2. Há dias em que o cor-de-rosa e o azul me enchem as medidas.
3. A linda pandeireta que os tios ofereceram no Natal está quase a enlouquecer-me.
4. A alcofa e o bebé primordiais foram os responsáveis por eu me ter tornado alcofeira.

Limbo

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Já só penso na casa que será nossa até ao fim do mês. Aliás, que já é nossa porque já temos a chave. Por enquanto limitamo-nos a visitas esporádicas para tirar umas medidas e para sonhar.
Nesta, onde ainda estamos, já não apetece arrumar nada e, de um dia para o outro, pararam os pequenos projectos — nada mais será pendurado nas paredes, já não vale a pena fazer as cortinas da janela que não as chegou a ter, não chegaremos a instalar o esquentador melhor que temos guardado. Todos os sonhos, planos e energia são transferidos para o novo espaço porque neste já vivemos quase tudo o que havia para viver. Faltam uns dias.
Eu já tinha explicado aqui que adoro recomeços.