Carta a uma sobrinha

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Querida Maria,
há um ano fizeste estes sacos da raposa e eu comprei-te um para oferecer à Leonor.
Ora temos aqui mais uma menina que gostava muito de ter um também. Há uns dias lá conseguiu que a irmã lho emprestasse para se ir pavonear um bocadinho para a rua, mas do que ela gostava mesmo, mesmo era de ter um só dela. Ainda por cima descobrimos que é a única que o consegue usar a tiracolo. E a verdade é que fica mesmo gira com ele.
Por isso aqui vai um pedido: faz lá uma segunda edição que eu preciso de coisas bonitas para oferecer no Natal.
Beijinhos,
Inês
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Há dois dias trouxe este livro da biblioteca e desde aí tenho andado maravilhada com ele. Para além de lindo (as fotografias, o design, o papel) tem receitas que me fascinam e que quero experimentar ainda este fim-de-semana.
Como secar tomate no forno, fazer pesto de rúcula ou de pimento encarnado ou uma sopa fria de curgete e coentros — são algumas das minhas receitas preferidas.
A Cláudia Villax, a quem eu escrevi a dar os parabéns pelo seu belo trabalho, vive em Lisboa, tem uma casa em Marvão, produz o azeite biológico Azeitona Verde e gere a Food, People and Design.
Quanto a mim, vou ter de comprar o livro porque estou com dificuldade em devolver este à biblioteca.

Conforto


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Já vivi em casas mais especiais do que a actual— tive um terraço com uma vista fabulosa sobre Lisboa e o Tejo, vivi num loft estiloso em pleno Bairro Alto, tive tectos esconços de madeira, uma cozinha com o chão em soalho como o resto das divisões e até uma das casas mais pequenas que já conheci e que encantava pela luz e pelas belas janelas com vista para uma monumental buganvília num muro velho ali em frente.
A casa de agora é mais banal — sete assoalhadas, um hall, uma cozinha, uma casa-de-banho a sério e outra minúscula a dar para a cozinha. Nada do outro mundo. E, no entanto, esta casa tem qualquer coisa de especial no facto de ser uma casa mais a sério do que todas as outras. É uma casa lisboeta de pais ou de avós — sólida, grande, simples.
Tenciono ficar aqui muitos anos, porque até eu — a pulga mais irrequieta que conheço — estou farta de mudanças. E o meu projecto para esta casa é torná-la, na sua banalidade, o sítio mais confortável de que há memória na minha história.
Os livros estão arrumados e é neste preciso momento que me sinto, finalmente, em casa.