O meu bairro

Eu tenho uma certa tendência para achar que o meu bairro é o melhor de todos. Como já vivi em vários quer isto dizer que eu tenho uma certa tendência para achar que Lisboa é uma cidade cheia de bairros bestiais. E o meu é sempre o melhor.
Aqui ficam as provas do que digo:
1. As fotografias do 25 de Abril de 1974 de Eduardo Gageiro e Luiz Carvalho fazem parte da nossa memória colectiva; todos as conhecemos. E mesmo assim é emocionante vê-las em tamanho grande e na melhor das galerias — a rua. Se há imagens que faz sentido ver na rua são estas.
2. Nasceu há uns dias a Cabine de Leitura. E nós cá em casa nem queremos acreditar na sorte que temos por ela estar aqui ao virar da esquina. Já levámos livros, já trouxemos livros, já a visitámos várias vezes. Que simples e maravilhosa ideia.
Tudo visitável na Praça de Londres. No meu bairro.

Na lapela

Para quem quis saber onde os encontrar:
os micro-cravos estão desde ontem à tarde à venda n’A Vida Portuguesa do Intendente. Hoje à tarde estarão também na loja da Rua Anchieta.
É pô-los na lapela, meus amigos, e desatar a celebrar a liberdade!

O poder da escrita

Aprender a ler e a escrever foi das coisas mais marcantes da minha vida.
Já não ter filha nenhuma analfabeta é outro momento mesmo especial.
“Não estou a gostar dessa atitude. Devolve-me o saco.”
Recado da Rosa, 6 anos, para o Sebastião, 16 anos, durante o drama doméstico gerado por um saco de gomas.

As paredes

Se há momento em que fico indecisa é na hora de pendurar coisas nas paredes. Gosto pouco de sentir que o que ali ponho ali ficará para sempre. Prefiro a ideia de pôr, tirar e voltar a pôr de outra maneira qualquer. E como não me apetece ter as paredes todas esburacadas demoro e hesito e demoro e hesito… Passo meses nisto. E, de repente, um dia acordo e em quinze minutos está tudo pendurado.
Pregos e martelo sempre foram meus bons aliados. As tesouras são uma paixão antiga. Washi tape é a minha nova melhor amiga.

Rabanetes

Durante anos os rabanetes foram, para mim, aquele vegetal lindo que aparecia, cru, a decorar as travessas dos restaurantes um bocadinho pirosos. Nunca os comia.
Depois deu-se uma revolução na minha forma de comer e a Macrobiótica ensinou-me, entre tantas coisas importantes, que os rabanetes ficam deliciosos se forem cozinhados.
A forma mais simples de o fazer, e a que eu prefiro, é escaldá-los em água a ferver durante uns minutos (poucos — se há coisa que detesto são vegetais demasiado cozidos).
Para quem não gostar deles assim tão simples, também ficam muito bem com um molho de iogurte e coentros.
Na mercearia em que os compro trazem a rama inteira e eu aproveito-a toda, salteada em azeite e alho. Uma delícia, garanto.

Micro-cravos

 
Há um ano ofereci-os aos amigos. Desta vez contratei a Leonor como assistente e juntas vamos vendê-los para patrocinar a ida dela a um campo de férias no Verão.
Distribuir cravos, mesmo que micro, sempre me pareceu uma belíssima ideia.

O único problema de trabalhar n’A Vida Portuguesa é o difícil exercício de controlar a vontade de trazer todo o conteúdo da loja para casa.
Há dias em que não resisto:
1. Tapetes de trapo. Os de riscas são os meus preferidos.
2. “As três Maçãs” de Maria Keil. No dia em que o comprei caiu um dente à Rosa e este tornou-se o presente que a Fada dos Dentes deixou debaixo da almofada.
3. Chocolates da máquina de furos da Regina (a bola prateada — que dá direito a estes corações vermelhos — é a melhor!)
4. Doce de tomate verde Beirabaga.
5. Ardósia para fazer listas na cozinha.
6. Sabonete de amêndoa Ach Brito.
7. Jarro Bordallo Pinheiro.