Missão retalhos

photophotophotophoto
Passei o mês de Julho a encaixotar a casa antiga e, para não enlouquecer de tédio (e para reduzir os sacos de retalhos a transportar), fui também fazendo uma manta para a nossa cama. Jurei que a estrearíamos na primeira noite passada na nova casa e assim foi.
Com a pressa resolvi não lhe pôr recheio e uni a parte de cima e a de baixo cosendo-as à máquina. Trata-se mais de uma coberta do que de uma manta.
Um dia destes hei-de descosê-la e acolchoá-la à mão. Por agora está bem assim.

Eu e os meus planos

photo      photo  photo
photo  photo   photo  photo
Quem, como eu, tem de quinze em quinze dias um fim-de-semana sem crianças porque elas vão para casa do pai, saberá perfeitamente do que trata este post. Quem não tem, ficará a saber da loucura que impera na minha cabeça. Espero que não enlouqueçam também ao lerem-me.
Durante quinze dias eu imagino que esse fim-de-semana em que as miúdas e o Sebastião não estarão em casa, será aquele em que eu farei o seguinte: arrumarei a casa a fundo, incluindo todas as gavetas, prateleiras e armários e todos os cantos e cantinhos de todas as divisões da casa. Farei almofadas novas para os sofás e ainda umas novas para o beliche e mais uns chouriços para todas as janelas, porque está frio lá fora e o Inverno está a chegar. Trabalharei como uma doida, pondo em dia as dezenas de e-mails que recebo por dia (mil desculpas a quem está à espera), as alcofas de bebé todas que tenho encomendadas e ainda duas ou três novas para pôr na loja. Farei sete ou oito alcofas de bonecas porque o Natal está aí e as encomendas estão a aumentar. Dividirei por cores todos os retalhos que tenho enfiados em sacos, porque quero fazer várias mantas e estou farta dos ditos sacos. Organizarei as fotografias no meu computador porque o desktop está outra vez caótico e desta vez é que vai ficar tudo em pastas e em backups.
E ainda: paginarei o meu projecto secreto, que tenho alinhavado em cadernos, e escreverei longas missivas à minha sobrinha Maria, à minha afilhada Carolina e à minha prima Constança, todas ausentes no estrangeiro e todas a fazerem falta por cá.
Depois ainda haverá tempo para: fazer uns jantares românticos com o João, beber um café com a minha mãe no Central Parque, ir ao cinema ou ver cinco episódios de seguida de uma das nossas séries preferidas, ir tomar o pequeno-almoço a um café giro e ficar a ler os jornais durante duas horas, ir à Feira da Ladra, ao Mercado Biológico do Príncipe Real e fazer um jantar com amigos.
A seguir há a parte do fim-de-semana em que eu tomarei um longo banho de imersão, demorarei uma hora a vestir-me, a pôr cremes e a fazer máscaras hidratantes para o cabelo. Também ficarei a ler na cama durante uma manhã inteira, farei uma panela gigante de sopa para a semana toda, se calhar tratarei finalmente da marmelada e do doce de abóbora e experimentarei a receita de um bolo que ali tenho há séculos.
Por fim: dormirei horas e horas, tentando compensar o pouco que dormi nos últimos dias e acordarei lá para o meio-dia em vez das 7 da manhã de sempre.
Se o João ler isto dirá que não é nem uma pequena amostra daquilo que eu me proponho fazer em cada um destes fins-de-semana. E tem razão. Mas eu pararei por aqui.
Há uns tempos eu chegava a Domingo à noite invariavelmente frustrada porque, obviamente!, não tinha sido possível fazer nem um décimo daquilo que tinha planeado.
Agora já consigo não desesperar se conseguir, pelo menos, fazer três ou quatro destas coisas. Devo estar um bocadinho mais crescida.

Desafio Branco III

photo
photo
photo
photo
photo
.
Mais tecido branco aproveitado (I + II). Desta vez fiz um avental de costura porque estou farta de ter sempre linhas agarradas à roupa. Com bolso, porque tenho passado demasiado tempo em busca da tesoura.
Gosto de aventais curtos, como os de jardinagem, porque me deixam os movimentos menos presos e porque os compridos me fazem sentir um saco de batatas.
O trapilho revelou-se uma óptima opção porque é muito mais confortável na cintura do que fitas de tecido rígido e o facto de ser simplesmente atado às argolas (em vez de cosido) permite lavar o avental com lixívia, caso seja preciso.
.

Desafio branco II

photophotophoto

A ideia era continuar o Desafio Branco e diminuir mais um bocadinho a montanha de restos de tecidos que tenho no atelier. Pensei que demorasse uma hora a fazer um saco de pano para os orégãos (omnipresentes cá em casa porque são repostos sempre que vamos ao Sul).
Afinal tornou-se um berbicacho de costura que acabou por me ocupar muito mais do que eu queria e podia. O J. achou “giro mas uma mariquice” e eu só posso concordar com ele pois desde que o comecei que não páro de me lembrar de uma das maiores maluquices que já costurei na vida — esta.
A verdade é que está feito, é útil porque acabou com o detestável saco de plástico em que guardávamos os orégãos e, mesmo que muito pouco, a montanha branca de tecidos diminuiu.
.

Desafio branco I

photo
photo
photo
photo
.
Por mais que eu tente cortar os tecidos de forma a ter o mínimo possível de desperdícios há sempre bocados que sobram. Ora como eu, literalmente, não consigo deitar fora nem um micro-retalho (sempre a pensar no que aquilo poderá vir a dar) o meu atelier tem vindo, de forma galopante, a transformar-se num armazém de tecidos em vez de um espaço onde é possível trabalhar. Tenho lá de tudo — sacos com retalhos médios, sacos com tiras,  sacos com retalhos de tamanhos variados e, finalmente, sacos com minúsculos retalhos (a que muito boa gente chamaria um lindo e colorido lixo). Tudo isto para além das prateleiras com os tecidos ainda por cortar.
Decidi portanto lançar um Desafio Branco a mim mesma. Trata-se de arranjar formas de dar uso à montanha de restos de sarja branca que tem sobrado dos forros das mais de 60 alcofas de bebé que fiz até ao momento.
A N. encomendou-me uns sacos para uma amiga grávida levar as primeiras roupas do bebé para a maternidade. E eu fi-los em branco, com bolso para coisas pequenas (meias, luvas,…) e laço de trapilho fácil de abrir e fechar (sim, as grávidas gostam de confirmar muitas vezes que não falta nada). São numerados porque é divertido imaginar a roupa nº 1 e a nº 2 e a nº 3…
E, na verdade, são sacos para a maternidade mas podem servir para muitas outras coisas (que eu não gosto nada de coisas que só se usam uma vez). Por exemplo: um lanche para cada um dos três filhos; o pijama e a escova de dentes para ir dormir a casa de um amigo; o tricot ou o crochet. E os números podem servir simplesmente para os ensinar a um filho pequenino.
Estes já chegaram ao seu destino mas haverá mais em breve na loja.
.

Compras

chão by you.compras by you.
A Feira do Príncipe Real tem-me feito perceber que afinal até gosto de verde.
E pode parecer ridículo mas já ando a comprar presentes a pensar no próximo Natal. Lancei um desafio a mim mesma: entrar no mês de Dezembro de 2009 com todas as prendas compradas ou feitas. Todas!
Bactus scarf – este frio repentino ainda me vai pôr a fazer um cachecol como este aproveitando todos os restinhos de lãs que há cá por casa.
Stuffed monster gallery – monstros de pano a partir de desenhos infantis.

Faz de conta

de manhã by you.

gorros by you.

Durante um bocadinho – quinze minutos, para ser mais precisa – faz de conta que está tudo a correr muito bem. Tiro a fotografia, sento-me, respiro fundo e tomo o pequeno-almoço. Hoje fi-lo sozinha, depois de as levar à escola. Dormimos em casa de uma amiga e talvez tenhamos de nos mudar mais a sério durante uns dias. Metade do nosso prédio, a nossa metade, tem as paredes ensopadas em água por causa de um cano mal encaixado. Um caos de água que durante meses, talvez anos, se infiltrou devagarinho e que agora resolveu aparecer em todo o seu esplendor. Um caos doméstico espalhado por quatro andares de um velho prédio lisboeta. Veremos como isto se resolverá. Por enquanto bastaram-me estes quinze minutos a fazer de conta para tudo me parecer mais fácil. E, vendo bem, de repente o céu até voltou a ficar azul.

De volta

De regresso e quase a partir outra vez (ainda alguém faz um mês de férias de seguida?).
A manta de retalhos está pronta! Fui ver nos arquivos do blog quanto tempo demorei a fazê-la. Dois meses e meio. Depois de uns milhares de pontos feitos à mão em horas de namoro com os tecidos, o inevitável aconteceu – apaixonei-me por ela. Apetece-me fazer mantas destas para todas as camas da casa. Estou tão orgulhosa que passei uma tarde inteira a fotografá-la nos lindos cenários do Alentejo, com e sem modelo. E mais aqui, aqui e aqui.
Desafio de Verão: voltar aos desenhos, mesmo que pequeninos.

Um disparate de uma ideia

Pergunta – Qual é a grande vantagem de lançar desafios a mim mesma e a mais ninguém?

Resposta – Se me apetecer mudo as regras todas. Ou acabo mesmo com o desafio.

Foi o que eu fiz – desafio abortado. Ao terceiro dia, quando me preparava para fazer outra coisa em menos de uma hora, percebi que era um disparate de uma ideia. É possível fazer muitas coisas no espaço de uma hora. Mas não é possível que alguma coisa fique realmente bem feita. Gosto muito das calcinhas que fiz para a R. e vou fazer mais de certeza. Mas desde que as acabei que não penso noutra coisa que não seja refazê-las. Porque na verdade o elástico das pernas está uma trapalhice. E do que eu gosto mesmo é dos acabamentos perfeitos. É isso que me faz querer usar alguma coisa muitas vezes. E é esse o gozo que a costura me dá.

– – –

Depois disto resolvi acabar com mais calma a manta de Verão de bebé que me foi encomendada há uns dias.

– – –

E as etiquetas para os dodôs já estão prontas.

Em menos de uma hora – I e II

O tempo que estou a demorar para acabar a manta de retalhos começa a desesperar-me. Talvez porque corro o risco de ela já não vir a servir para tapar a R. dadas as dimensões de uma e de outra.

Na verdade o que eu queria era que os dias tivessem o dobro do tempo. E já agora as noites também. Como não me parece que tal venha a acontecer, o que me apetece mesmo é fazer coisas rápidas, de preferência tão rápidas que se façam no tempo de uma sesta da R. E assim nasce um novo desafio a mim mesma – fazer todos os dias qualquer coisa que fique pronta em menos de uma hora. Durante sete dias.

Estes são os dois primeiros resultados. Um mini-vestido e umas calcinhas (adoro esta palavra. Faz-me lembrar a minha avó que também dizia boa nôte em vez de boa noite e tutu em vez de rabo). Cada coisa demorou menos de uma hora a fazer, uma ontem e outra hoje. As calcinhas demoraram mesmo pouco mais de meia hora e estou muito contente com o resultado. Parece-me a roupa de Verão perfeita para um bebé. Aproveitei para estrear o ponto da máquina de costura indicado para coser elástico, o que não se revelou uma tarefa muito fácil.

Os botões do vestido foram descobertos numa caixa com centenas de botões vintage, quase todos medonhos, numa retrosaria da Baixa. Por estes apaixonei-me porque parecem rebuçados de morango. Vou ficar atenta, não vá a R. decidir comê-los.

Sétima saia

Não foi em sete dias (oops!) mas aqui termina o desafio das sete saias. Claro que tinha de haver uma de peitilho como várias que tive em pequena.

E aqui um babete para a R. Ontem foi dia de quadradinhos.

Sexta saia

Não estou a conseguir cumprir os sete dias do desafio das saias que lancei a mim mesma. Demasiadas coisas a acontecer, não me sobra tempo. Mas serão sete saias, isso garanto.

A sexta tinha de ser para a Boo que já teve direito a gorro, cachecol e bibe igual ao que a L. usava na creche mas nunca tinha tido uma saia. Agora já tem.