O tricot

Tenho este livro precioso cá em casa. Foi-me emprestado pela minha colega Marisa.
A Marisa é uma especialista em livros antigos e uma apaixonada por livros em geral, tal como eu. Lá na loja há um tráfego constante de livros que às vezes me faz rir. Há dias em que os cacifos do armazém parecem um alfarrabista.
Ora a boa nova é que a Marisa quer vender este livro. E eu ofereci-me para o divulgar aqui no blog, sítio onde passam muitas pessoas interessadas em tricot.
A Rosa refere este livro no seu As Malhas Portuguesas, como sendo o primeiro livro português sobre tricot. E eu, que já o conheço, posso dizer que nunca tinha visto um livro tão exaustivo em informação sobre o tema. Para além disso, traz uns projectos deliciosos que apetece experimentar, como toucas para bebé, casacos de senhora e até gravatas.
Quem estiver interessado pode contactar a Marisa pelo e-mail: quasefomos@gmail.com
“O Tricot em todas as modalidades — à mão e à máquina”
Editorial “O Seculo”
4ª edição
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A minha família é bestial #2

Foi lançado há cerca de um mês o livro feito pela minha sobrinha Maria, Imagina com Plasticina. Quem conhece o trabalho da Maria, sabe que ela é uma designer cheia de talento. Quem, para além disso, conhece mesmo a Maria, sabe também que ela é, acima de tudo, uma miúda divertida com a cabeça sempre a fervilhar de ideias.
Eu aqui me confesso: sou fã da minha sobrinha e do seu trabalho.
O meu pai ofereceu o livro à Rosa no dia dos seus anos e ela tem andado, desde então, a imaginar caras, comidas, nuvens, chuva, bichos, tudo o que se pode fazer com plasticina. E tudo se pode mesmo fazer com plasticina, até escrever.
Um livro muito divertido que apetece estar sempre a fotografar, antes que a plasticina seja descolada e usada outra vez.
Muitos parabéns, querida Maria!

A minha família é bestial #1

Já muita gente por essa blogosfera fora viu e comentou o livro da Constança.
Mas eu, que sou sua prima, também tenho umas coisas a dizer.
É um livro muito bem acabado, como todas as coisas que a Constança faz com as suas mãos talentosas. As fotografias são muito bonitas, a estrutura ao sabor das estações faz todo o sentido para quem conhece o blog Saídos da Concha, os projectos são variados e apetitosos e, muito importante, é bem escrito. Normalmente é onde este tipo de livros ou de blogs ditos crafty acaba por falhar. E é exactamente aí que eu costumo perder o interesse. São raras as pessoas que dominam a escrita e que conseguem comunicar bem aquilo que têm para dizer. A Constança escreve muito bem e com alma.
Eu tenho mais dez anos do que a minha prima Constança. Em adolescente fui várias vezes sua babysitter (e do meu primo Martim), era ela uma menina pequenina.

Quando nasceste, Constança, várias pessoas da nossa família diziam que éramos fisicamente parecidas. Embora agora já não ache que sejamos, reconheço que em pequenas tinhamos mesmo bastantes parecenças. Que divertido que é termos chegado as duas, por vias diferentes, a este mundo dos blogs e dos trabalhos manuais.
Tenho imenso orgulho neste teu livro. A Avó Mimi também teria, garanto-te. Muitos parabéns!

Prendas

1. Cá em casa está criada a tradição de eu deixar as prendas na mesa da sala na noite anterior. Quando a aniversariante acorda (sempre cedíssimo, claro) assistimos ao desembrulhar ainda de pijama vestido.
2. Gosto de lhes oferecer coisas que não são especificamente feitas para crianças.
Desta vez dei à Rosa um pintainho Bordallo Pinheiro para quando comemos ovos quentes. Porque ela passou a apreciá-los há pouco tempo e porque loiça bonita é coisa que eu adoro.
3. A grande estrela da festa deste ano foi a máquina de furos Regina (que agora existe em versão de levar para casa). Nem sei dizer se teve mais sucesso entre os adultos ou as crianças presentes. Acho que todos adoraram.
4. Outra tradição é haver sempre um livro entre as prendas. Com dedicatória, para marcar cada ano. Um dia, quando a Rosa for crescida, terá uma bela colecção de “livros dos anos”, um por cada ano de vida. Desta vez este foi o escolhido.

Dos dias

Na parede à frente do meu nariz – aquela para onde mais vezes olho – penduro desenhos de alguns dos meus ilustradores preferidos. O postal do Bernardo Carvalho serve para me lembrar todos os dias que quero oferecer este livro no Natal.
A Leonor com as suas novas botas Cortebel. Eu tenciono pedir-lhas emprestadas porque quero aproveitar esta fase em que calçamos o mesmo número de sapatos.
Pelo andar da carruagem serei rapidamente ultrapassada.

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Há dois dias trouxe este livro da biblioteca e desde aí tenho andado maravilhada com ele. Para além de lindo (as fotografias, o design, o papel) tem receitas que me fascinam e que quero experimentar ainda este fim-de-semana.
Como secar tomate no forno, fazer pesto de rúcula ou de pimento encarnado ou uma sopa fria de curgete e coentros — são algumas das minhas receitas preferidas.
A Cláudia Villax, a quem eu escrevi a dar os parabéns pelo seu belo trabalho, vive em Lisboa, tem uma casa em Marvão, produz o azeite biológico Azeitona Verde e gere a Food, People and Design.
Quanto a mim, vou ter de comprar o livro porque estou com dificuldade em devolver este à biblioteca.

Conforto


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Já vivi em casas mais especiais do que a actual— tive um terraço com uma vista fabulosa sobre Lisboa e o Tejo, vivi num loft estiloso em pleno Bairro Alto, tive tectos esconços de madeira, uma cozinha com o chão em soalho como o resto das divisões e até uma das casas mais pequenas que já conheci e que encantava pela luz e pelas belas janelas com vista para uma monumental buganvília num muro velho ali em frente.
A casa de agora é mais banal — sete assoalhadas, um hall, uma cozinha, uma casa-de-banho a sério e outra minúscula a dar para a cozinha. Nada do outro mundo. E, no entanto, esta casa tem qualquer coisa de especial no facto de ser uma casa mais a sério do que todas as outras. É uma casa lisboeta de pais ou de avós — sólida, grande, simples.
Tenciono ficar aqui muitos anos, porque até eu — a pulga mais irrequieta que conheço — estou farta de mudanças. E o meu projecto para esta casa é torná-la, na sua banalidade, o sítio mais confortável de que há memória na minha história.
Os livros estão arrumados e é neste preciso momento que me sinto, finalmente, em casa.