A árvore

Quando eu era pequena os meus pais faziam questão de fazer todos os anos a maior árvore de Natal possível. Lembro-me do meu pai a serrar o tronco de um pinheiro gigante que não cabia no pé-direito da nossa sala.
Tinhamos imenso orgulho no tamanho das nossas árvores e até nutríamos um certo desprezo pelos pinheiros raquíticos que víamos em lojas ou em casas alheias. Éramos uns snobes-da-árvore-de-Natal porque a melhor, e a maior, de todas era a nossa.
A minha actual árvore — que vive debaixo da nossa cama durante o resto do ano — é ecológica e, dentro do género, até é bonita, mas é de plástico e não cheira a pinheiro.
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Borboletário

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Há cinco anos eu falava aqui da reabertura do Lagartagis, o Borboletário do Jardim Botânico de Lisboa. Se na altura havia motivos para celebrar, agora há razões para uma enorme preocupação, porque o Borboletário corre o sério risco de fechar portas.
Este projecto nasceu da cabeça imparável, apaixonada, maluca de tão empenhada, da Patrícia, minha grande amiga e uma das maiores especialistas em borboletas do nosso país. E a mim choca-me como se pode pôr em causa uma coisa boa que agora é de todos e que envolveu tanto trabalho, tanta dedicação, tanto entusiasmo.
A opinião da Professora Maria Amélia Martins-Loução está no Público de hoje.

2012

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Foi um ano mau. E eu quero escrevê-lo aqui porque um dia, quando vier ler os arquivos deste blog, quero ver que soube chamar às coisas aquilo que elas são.
Foi um ano muito difícil. E não me lembro de outro dia 31 de Dezembro em que me apetecesse dizer isto.
Foi um ano com medo. E o medo é a pior de todas as coisas.
Este blog é a minha forma de destacar bocadinhos da parte melhor dos meus dias, da minha vida e da minha cabeça. Faz-me bem porque me dá esperança de que as pequenas boas coisas continuem a acontecer e, espero, pode inspirar da mesma forma outras pessoas. Assim continuará a ser.
Mas este foi um ano mau. Venha outro, por favor.

K.I.S.S.*

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1.  Um truque: cá em casa toda a gente gosta de laranjas mas ninguém toma a iniciativa de lhes pegar, senão quando as corto em gomos e as levo para a mesa prontas a comer.
2. Herdei, das mãos generosas da minha Tia Ana, uns metros de renda feita à mão por uma senhora com mais de 90 anos. Prometo usá-la muito bem.
3. Quase tão bom, e muito mais barato do que comprá-las aos vendedores de rua, é assar umas castanhas no forno e comê-las à noite enroscada no sofá.
4. Faço questão de comemorar as coisas boas.
* Keep It Simple Stupid

País das Maravilhas

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À noite angustio-me com as notícias, com os ventos que vêm de Espanha, com o estado do país e do mundo.
De dia mergulho no universo dos bebés — falo com grávidas felizes, respondo a e-mails de pais babados, envio alcofas a avós entusiasmadas, dou informações a animados grupos de amigos.
Às vezes o meu trabalho parece-me o País das Maravilhas. Eu devo ser a Alice.