Dos dias

Não quero parecer mal agradecida mas a verdade é que às vezes, muitas vezes, me apetecia ter uma casa pequenina em vez de sete assoalhadas para gerir.
Tomar conta de uma casa grande, e mantê-la limpa, arrumada e, portanto, confortável, parece-me cada vez mais o mais inglório dos trabalhos. Nunca está tudo feito, está sempre quase tudo por fazer.
Farta, muito farta das lides domésticas, concentro-me nos detalhes, aqueles que realmente me dão prazer e que me fazem continuar a gostar deste ninho a que chamamos casa.
1. Arranjar finalmente função para o cesto que comprei há uns meses na Feira da Ladra. Os tricots em curso deixam assim de ter lugar cativo na poltrona da sala.
2. Promover um postal a quadro, só porque o adoro.
3. Pôr uma capa de edredon nova na cama da Leonor e ficar deliciada com o contraste que faz com o tapete de trapos.
4. Pôr flores secas numa jarra que, na verdade, é um frasco de laboratório antigo.
E dito isto, pode concluir-se que eu não sou bem uma mulher adulta com uma família a cargo. Sou mais uma menina pequena que gosta de rebuçados e não de arrumar a casa.