Nova vida

A minha mãe sempre me contou que a minha Avó M., que tinha umas mãos de fada, preferia mil vezes ter um vestido para desmanchar e aproveitar o tecido para outra coisa do que ter um tecido novo para estrear. Eu estou a ficar igual à minha Avó. A minha irmã deu-me um saco enorme com tecidos que já não queria. Alguns são novos mas a maior parte são cortinas, toalhas de mesa, capas de edredon – tudo já usado mas em óptimo estado. Com eles já fiz duas saias e um vestido para a L. e forrei o colchão da nova cama da R. Adoro a sensação de estar a reutilizar aquilo que ainda serve muito bem. E diverte-me pensar que os tecidos podem ter várias vidas passando, por exemplo, de cortina muito séria a vestido saltitante de menina de quatro anos.