Onze meses

onze meses by you.

no azul by you.

Gatinha pela casa toda e entrou na idade do perigo iminente – mexer nas tomadas, agarrar-se a estantes, subir degraus ou tocar na porta do forno são as actividades mais desejadas. Adaptou-se à creche sem qualquer resistência e de lá já traz as gracinhas da praxe – bate palmas e dá beijinhos. Diz mãe, pai e olá, exactamente as mesmas três primeiras palavras que a irmã aprendeu. Está tão crescido o meu bebé.

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Novas camadas de tinta nas portas mais azuis de Lisboa. Em Agosto esta estava assim.

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Da comida

Eu, que sou olhada um pouco de lado por muitas pessoas por ter tantas preocupações com a alimentação, nomeadamente com a alimentação das minhas filhas, estou farta de me esforçar por entender como é possível achar-se normal que as crianças de 2, 3, 4, e 5 anos comam regularmente na escola coisas como tulicreme, leite com chocolate e batatas fritas. E, apesar do esforço, continuo sem entender.

Pior ainda é quando as crianças que têm hábitos mais saudáveis como comer vegetais em todas as refeições, beber leite sem nada acrescentado e saber que os doces são para dias especiais, são vistas pelos adultos como pobres desgraçadinhas por lhes estar a ser negado o melhor da vida. Não está. O melhor da vida não é, não deveria ser, não pode ser estar-se viciado em açúcar, sal e gorduras quase desde que se nasce. Eu, que me sinto cada vez mais um misto de convicção e lirismo (para o bem e para o mal), continuarei, apesar de dar mais trabalho do que comprar chocapic e coca-cola, a promover cá em casa o entusiasmo pela chegada da fruta de Verão e por comer cenouras cruas lavadas no chafariz do jardim.

Vermelho, presunção e água benta…

Quando eu era pequena tinha, na minha cabeça, cores associadas a quase tudo. A cada dia da semana correspondia uma cor, cada nome de pessoa era de uma cor diferente. Não sei se isto era um presságio da profissão que viria a ter – as cores são uma das matérias-primas com que trabalho. Mas sei que há alturas em que uma cor se torna um tema. Presente em tudo o que vejo. Agora tem sido o vermelho.

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A minha irmã diz que eu estou muito diferente porque digo vermelho em vez de encarnado e sanita em vez de retrete. Eu, que nunca tinha notado que dizia de uma maneira ou de outra, adoro que ela repare nestas coisas. E passo a rir-me sozinha cada vez que uso estas palavras.

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As máximas de Miguel Sousa Tavares sobre os perigos dos blogs estão na mesma onda arrogante e presunçosa de outras que já lhe ouvi e li sobre vários temas. Assim de repente lembro-me de ler numa crónica sua que devia ser proibido levar crianças a restaurantes.