Alcofar

alcofa 6 by you.

É o novo verbo cá de casa. Eu alcofo, tu alcofas, ela alcofa… Sendo que a palavra tem dois significados possíveis: fazer alcofas ou brincar com alcofas que é o que eu e a L. andamos a fazer.

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A mais recente está aqui.

Domingo

domingo by you.

domingo by you.

Este blog não mostra a vida toda, naturalmente. Só bocadinhos escolhidos a dedo. Dos blogs que mostram tudo eu não gosto. Por isso este continuará a ser para mim um reduto das coisas boas que eu vivo, que eu vejo, que eu quero fazer. Mesmo que a parte da vida que é triste, que custa e que se complica continue a correr em simultâneo.

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Novo ritual das noites: a L. chama-me já deitada e às escuras para me dizer que se esqueceu de como se faz para dormir. E eu explico-lhe, sempre como se fosse pela primeira vez, que “tens de fechar os olhos, ficar muito quietinha e esperar que o sono chegue”.

BOYS GROUPING
Toldo de Wilson Shieh
Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

Sul

sul by you.

sul by you.

sul by you.

sul by you.

sul by you.

Há alguns bocadinhos do Algarve que ainda resistem ao turismo de massas e ao descalabro urbanístico. Terras pequenas onde os autóctones são a maioria que ocupa os cafés, a praça e as sombras. À hora da sesta os homens fazem campeonatos de jogo da malha e as mulheres conversam no largo principal da vila. Ainda há muitas casas com janelas lindíssimas de madeira e os telhados são um mundo paralelo de açoteias brancas onde se estende a roupa e se assam sardinhas.

Infelizmente o que se sente é que nada disto durará muito tempo. A nova moda de portas pavorosas que vieram fazer companhia às de alumínio são as portas à Downing Street e belas casas com cem anos ou mais são deitadas abaixo para se construírem blocos de apartamentos (até tremo quando oiço esta expressão).

Um dia restará a memória. E as fotografias.

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As grandes novidades: a R. mexeu na areia pela primeira vez (e não quis comê-la). E a L. perdeu o medo do mar.

Oito meses

Já se explica muito bem quando quer alguma coisa que não está ao seu alcance – Adora ver-se ao espelho – Tosse de forma intencional para chamar a atenção – Deixou de gostar do banho – Observa tudo o que a irmã faz com muita atenção – Estreou-se a andar às cavalitas do pai – Foi pela segunda vez cortar o cabelo no cabeleireiro – Eu quase podia jurar que diz mamã (mas devo estar a delirar).

Dodôs novos

Tenho tido tantas reacções boas aos meus dodôs que resolvi fazer mais, embalada pelo entusiasmo e pelo prazer de os ver rumar para junto de outros bebés. E para que não se torne confuso, até para mim, numerei-os. Os números 1, 2 e 3 são da R., o 4, o 5, o 6 e o 7 já partiram para novos destinos. Os restantes são de quem os apanhar, como diz a canção. Muito obrigada por todas as palavras simpáticas.

O verso dos 9, 10 e 11 está aqui. E o dos 12 e 13, aqui.

E falta explicar de onde vem o nome dodô: a L. teve uma colega de creche francesa que andava sempre com uma fralda de pano a que chamava doudou (pronuncia-se dudu). Nesta fase a L. também já tinha aderido ao aconchego da fralda branca e de um gato de pano que usava apenas na hora da sesta. Não sei qual das duas aportuguesou o termo mas desde essa altura a palavra tornou-se património familiar cá em casa juntamente com tintim, palavra que a L. criou para designar o biberon de leite morno. Quando a R. nasceu e se revelou uma adepta de chucha eu inventei este substituto mas mantivemos o nome.

Sábado

Olha mãe, sou um crepe de framboesa!

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Da biblioteca: outro livro de grande sucesso por aqui. Muitissimo divertido. Nas Bibliotecas Municipais de Lisboa.

ODEIO A ESCOLA!
Jeanne Willis + Tony Ross
Andersen Press Ltd. 2003 / Livros Horizonte 2003

Sete meses

Cresce a uma velocidade estonteante. Deitada consegue virar-se sozinha. Já se senta sem apoios, o que a faz parecer ainda mais crescida. Adora que a ajude a pôr-se de pé. E faz verdadeiros discursos a palrar. Descobriu que tem pés e tira as meias para os poder ver melhor. É serena de dia. E uma animação de noite…

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Da biblioteca: o livro do momento cá em casa. Já o devo ter contado umas dez vezes nos últimos dias. História de uma princesa baixinha e muito corajosa. Nas Bibliotecas Municipais de Lisboa.

A PRINCESA BAIXINHA
[Una Principessa Piccola Così, Ma…]
Beatrice Masini + Octavia Monaco
Edizioni Arka 98 / Livros Horizonte 99

K.I.S.S. *

Coisas simples e boas:

. O espectáculo dos jacarandás continua. A L. já está tão fanática como eu. Todos os dias atravessa este mar lilás em bicos de pés tentando não pisar nenhuma flor.

. Um saco de pano para as fraldas e afins da R. Cabe lá tudo, dá para enfiar dentro da minha mala ou para pendurar no carrinho. E o bolso é para o biberon da água.

. Passear com a R. no sling da sua homónima. Com bom tempo é que é. Sem casacos o sling é muito mais fácil de pôr e tirar. O carrinho vai ter umas férias.

* Keep It Simple Stupid

Vermelho, presunção e água benta…

Quando eu era pequena tinha, na minha cabeça, cores associadas a quase tudo. A cada dia da semana correspondia uma cor, cada nome de pessoa era de uma cor diferente. Não sei se isto era um presságio da profissão que viria a ter – as cores são uma das matérias-primas com que trabalho. Mas sei que há alturas em que uma cor se torna um tema. Presente em tudo o que vejo. Agora tem sido o vermelho.

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A minha irmã diz que eu estou muito diferente porque digo vermelho em vez de encarnado e sanita em vez de retrete. Eu, que nunca tinha notado que dizia de uma maneira ou de outra, adoro que ela repare nestas coisas. E passo a rir-me sozinha cada vez que uso estas palavras.

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As máximas de Miguel Sousa Tavares sobre os perigos dos blogs estão na mesma onda arrogante e presunçosa de outras que já lhe ouvi e li sobre vários temas. Assim de repente lembro-me de ler numa crónica sua que devia ser proibido levar crianças a restaurantes.

Amigas

Fazem cócegas uma à outra – Param para fazer uma dança ao som de uma canção – Riem muito – Dão pinotes e saltinhos – Amuam – Olham para as solas dos sapatos uma da outra para ver se pisaram cocó de cão – Esquecem-se que estavam amuadas – Jogam ao stop – Espreitam pelas ranhuras das caixas de correio – Entram sempre na mesma tabacaria para ver a capa de uma revista de bonecas pirosas – E falam, falam, falam…

O caminho da escola para a aula de dança podia demorar cinco minutos mas dura sempre pelo menos meia hora. E assim é que é divertido.

O céu

Mãe, as pessoas quando morrem vão para o céu?

Eu já sabia que um dia ia haver esta pergunta. Não tinha era pensado vir a ter tanta mas tanta pena de não lhe poder dizer que sim. Fiz o melhor que pude – que há pessoas que acreditam que sim mas que eu acho que as pessoas quando morrem ficam na cabeça de quem gostava delas. Aí eu sei que ficam.

Alcofa

Quando estava grávida da L. comprei uma alcofa de palhinha onde ela dormiu até aos seis meses ao lado da nossa cama. Quando passou para a cama de grades do seu quarto guardei a alcofa junto das roupas de recém-nascido que já não serviam. Um ano e tal depois emprestei-a a uns amigos – o S. foi o segundo ocupante. E quando seis meses depois nasceu a minha sobrinha C. eu achei que a alcofa já tinha história digna de registo e fiz uns cartões com os nomes dos bebés que pus por baixo do colchão presos à palhinha.

Agora que a R. passou para a cama de grades guardei de novo a alcofa. E ao ver os nomes dos cinco dorminhocos que já por ali passaram fico a pensar quem será o próximo. Se se mantiver a mesma sequência sei que será um rapaz…

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À terceira saia tinha de haver riscas, claro.

Segunda saia

A segunda saia está pronta, uff! Não foi fácil de conseguir num dia cheio, confuso e com uma grande notícia logo de manhã. O assunto que me ocupou os pensamentos e as conversas durante horas e horas nos últimos três anos e me fez calcorrear Lisboa em busca da futura escola da L. (e agora da R. também) passa agora para uma nova fase. A escola preferida teve finalmente vaga e a partir de Setembro começa uma nova Era cá em casa (acabou a época de caça, Rosa!).

Flor de pimento

Oh mãe, posso ficar com este pimento?

No desenho de ontem adoro a flor e os sapatos de salto alto.

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Descobri numa caixa quatro saias que sobraram de um lote de coisas feitas por mim que estiveram à venda há um ano numa loja que entretanto fechou. São todas diferentes mas todas com riscas. Eu não resisto a riscas. A L. adoptou-as a todas.


Luz triste

Farta deste tempo molhado e cinzento que põe Lisboa com uma luz tão triste, só vejo duas vantagens no frio e na chuva – voltar a pegar nos tecidos que já tinha posto de parte para o Outono e continuar a ver a L. de galochas a chapinhar nas poças. Ainda não foi este ano que arranjei umas para mim mas do próximo Inverno não passa.

Ah, esqueci-me de um ponto muito importante no último post: ela adora princesas, cor-de-rosa e brilhantes. Como é que pude esquecer-me disto…