Das casas e dos livros

le déménagement by you.outono by you.
Já vivi em dez casas diferentes. Na folha de rosto dos meus livros escrevo o meu nome e, por baixo, a data e a rua onde vivo nesse momento. Copiei o hábito de um amigo ainda mais salta-pocinhas do que eu. Todos os meus livros ficam assim associados às casas em que vivi. Ou talvez seja melhor dizer ao contrário – as casas em que vivi ficam associadas aos livros que li, já que as casas ficam na memória e os livros permanecem comigo.
LE DÉMÉNAGEMENT
Clémence Lafarge + Camille Jordy
Adam Biro Jeunesse, 2004
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W.I.P.

w.i.p. by you.

a minha primeira enciclopédia by you.

Há prendas a caminho. E tão pouco tempo para as acabar.

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Encontrei os números 2 e 3 desta enciclopédia aqui. O número 1 eu tinha desde pequena. Tem ilustrações lindíssimas que me trazem muitas recordações de infância. Agora está completa.

A MINHA PRIMEIRA ENCICLOPÉDIA
Herbert Pothorn
Editorial Verbo, 1967

Obrigada

merci by you.

Ando a descobrir que os mimos digitais sabem tão bem como os outros.

Obrigada Rosa por teres posto este blog num rodopio ao linkares-me de uma forma tão simpática. A todos os que aqui vieram parar via A Ervilha cor de rosa – sejam muito bem-vindos.

E a todas as pessoas que, nos comentários ou por e-mail, pediram informações sobre as alcofas e os dodôs, aqui fica a resposta: na segunda-feira aqui estarão algumas mini-alcofas e novos dodôs – tudo à espera de partir para novos destinos.

Muito obrigada.

PREMIER DICTIONNAIRE EN IMAGES
Pierre Fourré
Livraria Bertrand / Didier, 1962

Oportunidade

árvore by you.

Os chineses usam o mesmo caracter para as palavras Crise e Oportunidade. Faz todo o sentido.

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Continuar a repetir, mentalmente e em voz alta – vai correr tudo bem, vai correr tudo bem, vai correr tudo bem

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Primeiro dia dos próximos quinze. A trabalhar fora de casa nine to five como há muito tempo não acontecia. Momento alto: a hora de almoço passada no jardim com a melhor vista de Lisboa a ler “A Mulher Certa” de Sándor Márai quarenta minutos seguidos sem interrupções. Mesmo sozinha gosto de fazer pic-nics.

Gosto deste salão vermelho, com os seus móveis de tempos revolutos, gosto das velhas empregadas, da praça concorrida vista por detrás das janelas e das pessoas que entram. Há uma espécie de calor em tudo isto, um ambiente fim-de-século no conjunto. E aqui o chá é melhor, já te deste conta?… Sei, as mulheres de agora já não vão às pastelarias. Vão aos cafés, onde tudo é à pressa, e nem se podem sentar tranquilamente, o café custa quarenta fillér, o almoço é uma salada, eis o novo mundo. Mas eu ainda pertenço ao outro mundo, ainda preciso desta pastelaria tão elegante, com mobiliário e tapeçarias de seda vermelha, velhas condessas e princesas, aparadores espelhados. Não fico aqui todo o dia, como podes imaginar, mas no Inverno venho algumas vezes e sinto-me cá muito bem.

A MULHER CERTA
Sándor Márai
Publicações Dom Quixote, 2007

Da comida

Eu, que sou olhada um pouco de lado por muitas pessoas por ter tantas preocupações com a alimentação, nomeadamente com a alimentação das minhas filhas, estou farta de me esforçar por entender como é possível achar-se normal que as crianças de 2, 3, 4, e 5 anos comam regularmente na escola coisas como tulicreme, leite com chocolate e batatas fritas. E, apesar do esforço, continuo sem entender.

Pior ainda é quando as crianças que têm hábitos mais saudáveis como comer vegetais em todas as refeições, beber leite sem nada acrescentado e saber que os doces são para dias especiais, são vistas pelos adultos como pobres desgraçadinhas por lhes estar a ser negado o melhor da vida. Não está. O melhor da vida não é, não deveria ser, não pode ser estar-se viciado em açúcar, sal e gorduras quase desde que se nasce. Eu, que me sinto cada vez mais um misto de convicção e lirismo (para o bem e para o mal), continuarei, apesar de dar mais trabalho do que comprar chocapic e coca-cola, a promover cá em casa o entusiasmo pela chegada da fruta de Verão e por comer cenouras cruas lavadas no chafariz do jardim.

Verão


O fim-de-semana foi passado quase todo no jardim. Compras, baloiços, cafés na esplanada, um pic-nic com amigos (com direito a toalha aos quadrados e tudo!) para celebrar o primeiro dia de Verão e por fim sardinhas na tasquinha logo ali ao lado.

Ao contrário de muitas pessoas que sentem o apelo de ir viver para o campo, eu cada vez gosto mais de viver em Lisboa. Talvez porque cada vez tiro mais partido das vantagens de viver aqui. E portanto cada vez sinto a cidade mais à minha medida.

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Para os dias serem ainda melhores do que têm sido só faltava as minhas noites serem passadas a dormir assim tão bem como o Filipe. Depois de duas noites em que a R. dormiu sem interrupções entre a meia-noite e as sete da manhã, há esperança! Afinal duas vezes já pode ser considerado um padrão. Não pode?

FILIPE E O PINCEL MÁGICO
Mischa Damjan + Janosch
Nord-Sud Verlag, Switzerland / Livraria Sá da Costa Editora, 1972
Nas Bibliotecas Municipais de Lisboa

21

9 livros comprados + 6 livros da biblioteca do costume + 3 livros e 2 dvd’s da nova mediateca de que a L. é sócia + 1 oferecido por uma amiga (e que me trouxe recordações dos meus oito ou nove anos quando me ofereceram um igual a este Babar que ensina francês).