Os meus dias

lisboa by you.

lisboa by you.

Fim do trabalho de duas semanas fora de casa. Fim da hora de almoço solitária que tão bem me soube nestes dias e que incluiu sempre: deslumbrar-me com esta vista + absorver a luz especial deste jardim + mergulhar num livro durante quarenta minutos + deliciar-me com as minhas últimas criações de almoço em formato pic-nic – Polenta com manjericão; Cous-cous com meloa, azeitonas e salsa; Salada de arroz com lentilhas e coentros; Fusili com atum, manjericão e alface. Estou a tornar-me uma especialista em pic-nics.

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Já a pensar no Outono: a última Small.

Oportunidade

árvore by you.

Os chineses usam o mesmo caracter para as palavras Crise e Oportunidade. Faz todo o sentido.

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Continuar a repetir, mentalmente e em voz alta – vai correr tudo bem, vai correr tudo bem, vai correr tudo bem

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Primeiro dia dos próximos quinze. A trabalhar fora de casa nine to five como há muito tempo não acontecia. Momento alto: a hora de almoço passada no jardim com a melhor vista de Lisboa a ler “A Mulher Certa” de Sándor Márai quarenta minutos seguidos sem interrupções. Mesmo sozinha gosto de fazer pic-nics.

Gosto deste salão vermelho, com os seus móveis de tempos revolutos, gosto das velhas empregadas, da praça concorrida vista por detrás das janelas e das pessoas que entram. Há uma espécie de calor em tudo isto, um ambiente fim-de-século no conjunto. E aqui o chá é melhor, já te deste conta?… Sei, as mulheres de agora já não vão às pastelarias. Vão aos cafés, onde tudo é à pressa, e nem se podem sentar tranquilamente, o café custa quarenta fillér, o almoço é uma salada, eis o novo mundo. Mas eu ainda pertenço ao outro mundo, ainda preciso desta pastelaria tão elegante, com mobiliário e tapeçarias de seda vermelha, velhas condessas e princesas, aparadores espelhados. Não fico aqui todo o dia, como podes imaginar, mas no Inverno venho algumas vezes e sinto-me cá muito bem.

A MULHER CERTA
Sándor Márai
Publicações Dom Quixote, 2007