O poder da escrita

Aprender a ler e a escrever foi das coisas mais marcantes da minha vida.
Já não ter filha nenhuma analfabeta é outro momento mesmo especial.
“Não estou a gostar dessa atitude. Devolve-me o saco.”
Recado da Rosa, 6 anos, para o Sebastião, 16 anos, durante o drama doméstico gerado por um saco de gomas.

As paredes

Se há momento em que fico indecisa é na hora de pendurar coisas nas paredes. Gosto pouco de sentir que o que ali ponho ali ficará para sempre. Prefiro a ideia de pôr, tirar e voltar a pôr de outra maneira qualquer. E como não me apetece ter as paredes todas esburacadas demoro e hesito e demoro e hesito… Passo meses nisto. E, de repente, um dia acordo e em quinze minutos está tudo pendurado.
Pregos e martelo sempre foram meus bons aliados. As tesouras são uma paixão antiga. Washi tape é a minha nova melhor amiga.

Rabanetes

Durante anos os rabanetes foram, para mim, aquele vegetal lindo que aparecia, cru, a decorar as travessas dos restaurantes um bocadinho pirosos. Nunca os comia.
Depois deu-se uma revolução na minha forma de comer e a Macrobiótica ensinou-me, entre tantas coisas importantes, que os rabanetes ficam deliciosos se forem cozinhados.
A forma mais simples de o fazer, e a que eu prefiro, é escaldá-los em água a ferver durante uns minutos (poucos — se há coisa que detesto são vegetais demasiado cozidos).
Para quem não gostar deles assim tão simples, também ficam muito bem com um molho de iogurte e coentros.
Na mercearia em que os compro trazem a rama inteira e eu aproveito-a toda, salteada em azeite e alho. Uma delícia, garanto.

O único problema de trabalhar n’A Vida Portuguesa é o difícil exercício de controlar a vontade de trazer todo o conteúdo da loja para casa.
Há dias em que não resisto:
1. Tapetes de trapo. Os de riscas são os meus preferidos.
2. “As três Maçãs” de Maria Keil. No dia em que o comprei caiu um dente à Rosa e este tornou-se o presente que a Fada dos Dentes deixou debaixo da almofada.
3. Chocolates da máquina de furos da Regina (a bola prateada — que dá direito a estes corações vermelhos — é a melhor!)
4. Doce de tomate verde Beirabaga.
5. Ardósia para fazer listas na cozinha.
6. Sabonete de amêndoa Ach Brito.
7. Jarro Bordallo Pinheiro.

No metro

Na estação de metro que uso diariamente apareceram estes desenhos de António Jorge Gonçalves e eu, pateta, fiquei embasbacada a olhar para eles, como se fossem um presente ali posto só para mim, que os conheço tão bem e os acho simplesmente deslumbrantes.
Alguém sabe o que acontece a estes grandes cartazes quando são retirados das molduras e o que seria preciso fazer para eu ficar com um deles? Adorava saber. Obrigada!

Hibernar é preciso

Este blog hibernou durante uns meses. Não foi bom nem mau, foi apenas necessário.
A vida, entretanto, foi sendo vivida e, felizmente, o Inverno já passou.
1. Já tenho uma filha com dez anos. Foi em Dezembro mas ainda acho isto espantoso.
2. Há anos que ouvia falar dos bandos de pássaros tropicais que existem em Lisboa mas confesso que sempre achei que era um mito urbano. Até que dei de caras com este e mais uns quantos à porta de casa. Há coisas mágicas que afinal são verdade.
3. Passei a estar em part-time na loja mais bonita de Lisboa e descobri que tinha imensas saudades de trabalhar em equipa.*
* A ilustração é minha mas foi feita recortando as etiquetas autocolantes das embalagens d’A Vida Portuguesa, parte da identidade gráfica, cuidadíssima, desenvolvida pelo designer Ricardo Mealha. O seu a seu dono.